Guiné-Bissau: MADEM vai exigir a Sissoco Embaló reduzir influência de Soares Sambú

Bissau

O problema do Movimento para a Alternância Democrática (MADEM), está na figura do vice-Primeiro-ministro, Soares Sambú, revelou um activista do partido coordenado por Braima Camará .

De acordo com o mesmo activista, Soares Sambú tem sido o objecto do “problema” entre o Presidente da Republica, Sissoco Embaló, e Braima Camará e por esse motivo visa agora o lugar do primeiro-ministro Nuno Nabian. Os jovens e quadros do partido, não contam com apoio Soares Sambú e muito menos do ex-ministro da Educação e porta-voz do MADEM, Djibril Baldé.

Durante a reunião da Comissão Permanente do MADEM, em que deveria ter sido debatido discutir o ultimato dos quadros e da juventude, não deliberou devido às pressões que foram exercidas sobre Braima Camará por diferentes grupos políticos, económicos, sociais e até militares, mas foi decidida a criação de uma Comissão que deverá inventariar todas as questões levantadas para as submeter à Comissão Política. Ou seja, a possibilidade do MADEM renunciar o acordo político com o PRS e APU para a constituição do actual Governo liderado por Nuno Gomes Nabian, ainda está de pé.

Antes da reunião da Comissão Política, certas exigências do MADEM para o fim da crise, já são conhecidas. Por exemplo, o partido (ou o Coordenador do MADEM) deverá reunir com o Presidente da República para exigir “menor interferência possível” do vice-primeiro-ministro, Soares Sambú, nos assuntos que dizem respeito ao MADEM.

No momento da reunião, Leopold Seddar Domingos, conhecido activista do MADEM, que há quatro meses regressou à Guiné-Bissau depois de um período de vivência no Brasil, disse num directo na sua página Facebook que o problema que o partido vive neste momento foi provocado por Soares Sambú, a quem desafiou a renunciar à vida política.

Oficialmente e segundo o porta-voz do partido, Djibril Arsénio Baldé, ex-ministro da Educação, a reunião mandatou alguns dirigentes para recolherem junto das estruturas competentes, respostas aos problemas levantados pelos jovens. Djibril Arsénio Baldé recusou responder se o partido sai, ou não, do Governo, mas garantiu que certas questões da coligação precisam de ser esclarecidas.

Em poucas palavras, disse que os jovens reconheceram que “não estiveram bem” quando em conferência de imprensa impuseram um ultimato ao Coordenador do MADEM que teria 72 horas para formalizar a renúncia ao Acordo da Coligação. “Eles reconheceram o erro e pediram desculpas. Não falamos sobre a saída no Governo, mas ficou decidido que vamos discutir sobre as questões que levantaram”, disse o porta-voz assumindo indirectamente os problemas no partido.

Na Comissão Permanente de 31 de Maio, Soares Sambú, vice-primeiro-ministro e Marciano Silva Barbeiro, actual ministro da Agricultura, ambos próximos de Sissoco Embaló, não marcaram presença. O que motivou Leopold Seddar Domingos, cujo activismo é reconhecido pelo próprio MADEM, questionar sobre os motivos destas ausências e acusou alguns dirigentes de quererem “transportar os problemas do PAIGC” para o MADEM.

 “Nas primárias disseram que Umaro Sissoco Embaló não podia ser candidato, porque não tinha responsabilidade. Foi por isso que receberam do JOMAV 200 milhões de Fcfa para a sua candidatura passar. E como não são sérios, receberam do Carlos Gomes Jr., 100 milhões de Fcfa. Mas ao lado do Sissoco Embaló estavam Satú Camará e Braima Camará. Conseguiram passá-lo nas primárias com margem mínima. Aquilo é prova de fidelidade. Hoje perto do Sissoco Embaló, estão pessoas que não o apoiaram”, denunciou Leopold Sedar.

“Hoje perto do Sissoco Embaló, estão pessoas que não o apoiaram”

O referido activista, que integrou a Comitiva de Braima Camará que recentemente fez uma digressão ao leste do país. Disse que a 31 de Maio, antes do início da reunião da Comissão Permanente acompanhou o Coordenador do MADEM até à sala na sede do partido para testemunhar o ambiente. “Entrei na sala e não constatei a presença de Soares e de Marciano. Perguntei o que passa. Posso garantir a todos que, não há problema entre o Sissoco e o Braima Camará. O que existe é um grupo de pessoas que ontem não apoiou Sissoco, mas que hoje está ao lado dele a comer e a intrigar com os outros”, acusou visando Soares Sambú.

O activista acusou também Soares Sambú de não apoiar a juventude e apelou à juventude do MADEM a se comportar como a do PRS. “Hoje a juventude do PRS está no centro da tomada de decisões no partido”, disse. “O lugar que Soares Sambu quis é de Adja Satú Camará no parlamento. Ao não conseguir, quer agora o lugar de Nuno Nabian. Nuno Nabian, não está de acordo e um dia pode explodir”, disse e considera que Braima Camará está a ser traído por pessoas a quem deu uma oportunidade.

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