Guiné-Bissau

Guiné-Bissau: Ministério Público quer que UNIOGBIS entregue Aristides Gomes

Aristides Gomes

Ministério Público da Guiné-Bissau quer o aval da UNIOGBIS (Missão Integrada de Consolidação da Paz na Guiné-Bissau) para ouvir o ex-primeiro-ministro Aristides Gomes sobre processos de corrupção.

Uma intenção que é interpretada pelo Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) como “perseguição” das actuais autoridades contra Aristides Gomes.

O PAIGC considera que a referida “perseguição” atingiu o ponto alto com a decisão do Procurador-Geral da República de endereçar uma carta à representante do Secretário-geral das Nações Unidas, Rosine Sori-Coulibaly para que entregue Aristides Gomes às autoridades nacionais a fim de ser ouvido no âmbito de processos de corrupção de que é apontado como suspeito.

A carta não foi tornada pública, mas os deputados da bancada parlamentar e o presidente do PAIGC confirmaram a existência do documento, bem como a recente audiência entre o presidente Umaro Sissoco Embaló e a Rosine Sori-Coulibaly terá contribuído para dissipar as dúvidas.

Aristides Gomes continua a incomodar as autoridades guineenses, tendo em conta que, depois de refugiar-se nas Nações Unidas na Guiné-Bissau, continuou a assumir-se como “primeiro-ministro legítimo”. Em diversas ocasiões enviou mensagens “oficiais” a desmentir não só o Governo mas também o presidente Umaro Sissoco Embaló.

O “principal responsável” das denúncias contra Aristides Gomes é o deputado Braima Camará, coordenador do MADEM-G15 e da actual maioria parlamentar, tal como fez questão de assumir publicamente.

Entre as graves acusações contra Aristides Gomes, enquanto Primeiro-ministro, Braima Camará destacou uma suposta venda dos Armazéns do Povo, propriedade do Estado que, segundo Braima Camará, Aristides Gomes, para além de vender, também pediu o pagamento adiantado da renda.

Denúncias que já foram desmentidas por Aristides Gomes, mas ganharam força na semana passada quando o ministro das Finanças Mamadú Fadiá foi ao parlamento “confirmar todas as afirmações de Braima Camará”.

Transferência suspeita e cofres vazios

O ministro confirmou existir de facto um contrato de venda dos Armazéns do Povo e que alegadamente o novo proprietário terá alugado este espaço ao Estado.

Um segundo elemento, de que acusam Aristides Gomes e que faz parte dos assuntos que supostamente o Ministério Público quer averiguar, é referente a uma transferência de 50 mil euros para os filhos do ex-primeiro-ministro no estrangeiro.

O actual Governo tornou público um documento no qual o ex-PM terá dado instruções ao Secretário de Estado do Tesouro para que autorizasse a referida transferência de 50 mil euros para os seus filhos que estudam em França. As autoridades consideram que tal procedimento é um “acto de corrupção” e por isso sancionável.

Reagindo a estas acusações, Aristides Gomes sustentou que o dinheiro em causa é particular, mas as regras financeiras internacionais determinam que, quando se pretende transferir uma determinada quantidade de dinheiro para o exterior, o interessado tem de ter o aval do Ministério das Finanças.

Também o banco Orabank Guiné-Bissau, que procedeu à polémica transferência, difundiu um comunicado em que confirma que o dinheiro transferido era proveniente de uma conta de Aristides Gomes.

Apesar de toda a pressão, Aristides Gomes está sereno e a aborda com naturalidade as acusações de que é alvo, tais como de supostamente ter deixado os cofres do Estado quase vazios e com apenas 38 mil Francos Cfa na data da sua exoneração.

Utilizando sempre os seus canais para responder e rotular actual poder de “narcótico”, Aristides Gomes alegou ter deixado nos cofres de Estado cerca de 8 biliões de Francos Cfa e que terá sido esse dinheiro que o actual Governo utilizou para pagar salários três dias depois de assumir o poder.

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