Guiné-Bissau: Movimento Democrático Guineense apoia DSP nas eleições presidenciais

O Presidente do Movimento Democrático Guineense (MDG), Silvestre Alves, manifestou o apoio do seu partido ao candidato Domingos Simões Pereira (DSP), presidente do PAIGC, nas eleições presidenciais de 24 de Novembro na Guiné-Bissau.

Esta quinta-feira, 31 de Outubro, durante uma conferência de imprensa, Silvestre Alves disse que espera que Domingos Simões Pereira, em caso da vitória, promova a adopção de um “pacto de estabilidade” que assegure a participação efectiva de todas as formações políticas com assento parlamentar ou que tenham “aptidão e mérito notório” para concorrer para a criação de mecanismos e adopção de medidas de “pacificação e estabilização política” do país e na definição das políticas sectoriais, em especial, da educação, saúde, sector empresarial do Estado, das privatizações, minérios e infra-estruturas.

Silvestre Alves espera que Domingos Simões Pereira faça ainda uso da sua magistratura de influência e do seu poder de veto para defender e promover os reais e superiores interesses do país para garantir uma “governação idónea, transparente, pacífica, republicana e progressista” e para instituir um sistema eficiente de controlo da acção político-administrativa e de garantias de combate contra a corrupção e tráfico de influência.

“No respeitante aos minérios, em particular, exorta o candidato, sendo eleito, a velar pelo adiamento e melhor preparação da decisão de iniciar a exploração”, disse.

Entretanto, sobre os últimos acontecimentos que resultaram na “queda do governo”, Silvestre Alves asseverou que “ninguém pode atestar que este governo esteja a conduzir o país como seria desejável. Os danos são evidentes no sector da educação, na arrecadação das receitas e gestão macroeconómica, na gestão do parque empresarial do Estado, no domínio das privatizações, no sector dos minérios, nas despesas exorbitantes, eventualmente encapotadas, do processo eleitoral, nos desmandos na emissão de passaporte e, em especial, em matéria de rigor, racionalidade e consciência cívica” contudo, o Presidente do MDG defende que um “mal não se cura com outro mal”, sublinhando que “é preciso respeitar a vontade do povo. Tanto pelo sentido do voto, como pelo desejo de ver cumprir um mandato completo”.

Silvestre Alves acusou os partidos da oposição com assento parlamentar de não se identificarem com a sua condição de partidos da oposição, de não escolherem meios nem caminhos para chegar ao poder, ao alinharem-se com a “ilegalidade” promovida pelo chefe de Estado cessante, José Mário Vaz, evidenciando o perigo que representam para a democracia.

“Para o MDG, a vitória de um candidato do “espaço de concertação”, representa, necessariamente, um retrocesso democrático, que se advinha pela forma como está a ser preparada, a partir da demissão do governo do PAIGC, que se pretende substituir por um governo de iniciativa presidencial, para a promoção dos interesses e objectivos do grupo. Exactamente, por isso, advinham-se perigos maiores para a democracia e para a integridade do património guineense. Por conseguinte, é preciso evitar esse cenário, a todo o custo, para não deixarmos afundar o país, ainda mais” disse Silvestre Alves.

“Depois de todos os acidentes que marcaram as diferentes etapas da nossa história recente”, disse Silvestre Alves, é “inaceitável” que haja actores políticos que pretendam servir-se do seu estatuto para prejudicar a marcha colectiva e que só pensam nas suas “vaidades e caprichos”, exortando os actores que não pertençam ao ato da governação a assumir construtivamente o seu estatuto, por forma a contribuir para a criação de mecanismos que garantam transparência e boa governação, condições fundamentais para a construção de uma democracia saudável e prospera.

Tiago Seide

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