Guiné-Bissau: PAIGC diz que vai resistir à “ditadura” das actuais autoridades

A direcção do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) prometeu regressar às origens para fazer face às actuais autoridades políticas que “a todo o custo pretendem instalar a ditadura no país”.

Em conferência de imprensa, juntamente com os advogados do partido, a segunda vice-presidente do PAIGC, Odete Semedo, defendeu que o mandato de captura emitido contra o presidente do partido, é judicialmente inexistente e manobras políticas para distrair os menos atentos. O partido garantiu que Simões Pereira vai voltar não cometeu nenhum crime e quem deve ser chamado à justiça é Fernando Gomes, Procurador-Geral de República (PGR) “acusado de desviar mais de 700 milhões de Fcfa no pagamento presencial na Função Pública”.

No encontro em que participaram as diferentes organizações do PAIGC, a juventude do partido pediu a demissão do PGR, que segundo o seu secretário-geral, Dionísio Pereira, “Fernando Gomes está a envergonhar o país”, e garantiu que o Presidente do PAIGC vai regressar sem que nada de especial aconteça, porque “estarão disponíveis para fazer face a tudo o que der e vier”.

Em nome dos advogados, Suleimane Cassamá destacou que o mandado de captura coincide com o anúncio do regresso de Simões Pereira e lembrou que o líder do PAIGC não foi notificado e é um deputado da Nação. “Para que um mandato tenha algum valor, através da resolução nº 5/87 de 7 de Março, era importante comunicar. A seguir, devia ser constituído suspeito. Mas antes de tudo, ele devia ser notificado”, explicou o advogado, para mais adiante assegurar que, nada disto aconteceu.

Para os advogados do PAIGC, o mandado está repleto de vícios ao ponto de não conseguirem saber quais instrumentos jurídicos provam que há algo contra Domingos Simões Pereira. “Fomos ao Tribunal questionar o que existe contra o nosso constituinte. O que vimos foi uma nota de imprensa assinada pelo jornalista. Não há processo. Isso é complicado. E como não há processo, decidimos ir questionar”.

Além do Ministério Público, os advogados informaram que, depois da Procuradoria, endereçaram um requerimento ao Tribunal de Relação para questionar se existe algum processo. “A única garantia que podemos dar é que, até neste momento, não existe nenhum processo contra” Domingos Simões Pereira. “E no dia em que decidir voltar, vai voltar sem que nada aconteça”, garantiu Suleimane Cassamá.

Considerando a atitude do Ministério Público como uma manobra de diversão, Cassamá disse que há mais probabilidade de acusar o PGR que o Presidente do PAIGC. “Há um processo em que o actual PGR foi acusado. Uma acusação definitiva e pública. Mas lamentavelmente foi nomeado PGR. Honra e dignidade recomendavam que fosse ele a negar. Mas infelizmente o PGR deu os passos que deu até aqui e quem o conhece, não podia esperar mais mudanças”, concluiu o advogado.

“Os combatentes não lutaram para isso. Lutaram para liberdade”

Para a segunda vice-presidente do PAIGC, Odete Semedo, quem luta pela verdade e respeito para o seu povo, não pode temer e muito menos fugir. “Aceitem que ponham tudo em causa, mas no dia em que puserem em causa a vossa liberdade, vocês deixam de ser humanos. Isso não pode acontecer, jamais. Porque os combatentes não lutaram para isso. Lutaram para liberdade”, disse.

A vice-presidente do PAIGC considera que há um risco do país transformar-se num estado ditatorial, pelo que os responsáveis do PAIGC devem reagir para contrariar essa situação. “Não podemos esconder. Este foi um partido de sacrifícios e de resistência. Se passamos por todas as dificuldades até conseguir a independência, quem é que nos pode intimidar? Se ninguém nos pode meter medo, então devemos erguer para defender o país e os interesses do país”, disse.

Manifestando a total determinação do PAIGC em combater os excessos que estão a ser cometidos no país, a segunda vice-presidente do PAIGC, apoiada nas alegações dos advogados, considerou precipitada a pretensão do Ministério Público, quando Domingos Simões Pereira já manifestou a vontade de regressar ao país.

Deixe uma resposta




Artigos relacionados

Moçambique: Indústria extrativa é o setor que mais vai crescer em 2023

Moçambique: Indústria extrativa é o setor que mais vai crescer em 2023

Dados do Governo moçambicano preveem que a indústria extrativa vai ser o setor que mais crescerá no país em 2023, ao…
Cabo Verde: MpD quer reconquistar Câmara Municipal do Tarrafal

Cabo Verde: MpD quer reconquistar Câmara Municipal do Tarrafal

A nova coordenadora da Comissão Política Concelhia do MpD no Tarrafal, Ana Sousa e Silva, disse esta semana que o…
Angola: Juiz do Bié preocupado com sobrelotação nas prisões

Angola: Juiz do Bié preocupado com sobrelotação nas prisões

O juiz presidente da comarca do Bié, Nganga Pilates da Silva, disse estar preocupado com o excesso de prisão preventiva…
Cabo Verde: Governo quer garantir maior autonomia financeira dos municípios

Cabo Verde: Governo quer garantir maior autonomia financeira dos municípios

O Governo cabo-verdiano apresentou um pacote legislativo para assegurar maior autonomia financeira dos municípios. Neste sentido, defende uma efetiva descentralização,…