Guiné-Bissau

Guiné-Bissau: Partidos políticos lutam por protagonismo na data da Independência

Bissau

A celebração do dia da independência da Guiné-Bissau, 24 de Setembro, será diferente dos anos anteriores. Habitualmente capitalizado pelo PAIGC e o Governo, este ano, as comemorações da Independência contam com novos protagonistas.

O PAIGC mantém o seu calendário comemorativo em torno do Setembro Vitorioso, mas entraram mais duas estruturas. Os partidos políticos e a presidência da República que em vez de ser um convidado, tornou-se no anfitrião.

Nos partidos políticos, os protagonismos estão a ser assumidos pelo PRS e o Movimento para a Alternância Democrática (MADEM), os dois partidos com maior peso na actual governação do país.

O PRS realizou ciclos de conferências durante dois dias, numa iniciativa que designou “Setembro de estabilidade e desenvolvimento”. Na cerimónia de abertura da conferência, que teve lugar a 22 de Setembro, Florentino Mendes Pereira, secretário-geral do partido, defendeu a necessidade de se imprimir uma nova dinâmica no país. Florentino Mendes Pereira considera importante o papel dos partidos políticos de prosseguirem os objectivos que nortearam a luta armada e a independência.

“Precisamos de uma profunda mudança política no país. Esta conferência tem um duplo objectivo. O primeiro é, comemorar as conquistas e a vitória granjeada pelo nosso povo e render uma devida homenagem aos heróis que estiveram na vanguarda da luta de libertação mais exemplar da África, liderada pelo Amílcar Cabral. O segundo, avaliar a gestão feita dessas vitórias e conquistas, reflectir sobre os problemas da actualidade guineense”, enfatizou Mendes Pereira.

No MADEM, o protagonismo foi especialmente assumido pela juventude. O partido inspirou-se profundamente nas acções desenvolvidas pela juventude do PAIGC, destacando nas suas palestras Amílcar Cabral e a luta armada de libertação nacional.

Umaro Sissoco dá nomes de avenidas aos presidentes da sub-região

No centro das celebrações da data da Independência deste ano está o Presidente da República. Umaro Sissoco Embaló fez questão primeiro de organizar a celebração da data no Estádio 24 de Setembro, quebrando com a tradição de duas décadas de celebração na ANP.

Para além de um “novo” palco para as celebrações em tempos de Covid-19, Umaro Sissoco Embaló dispõe de uma lista de convidados de peso, tais como o presidente da Nigéria, do Senegal, Mauritânia, Togo e Burquina Fasso. Assim como deverá estar presente Alassane Ouattara, presidente da Costa do Marfim, em pré-campanha eleitoral no seu país sendo candidato a um controverso terceiro mandato.

Na mesma lista consta também Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, que chega ao país esta quarta-feira, em representação do presidente Marcelo Rebelo de Sousa.

As informações sobre as comemorações e lista dos convidados especiais  foram facultadas aos jornalistas em conferência de imprensa pelo presidente Umaro Sissoco Embaló na tarde de 21 de Setembro.

Na conferência de imprensa, que teve lugar no Palácio Rosa, Sissoco Embaló considerou de desígnio nacional o dia da Independência e que conta com a participação de todos os guineenses. “Isto é como o dia de jogo dos djurtos (nome popular da selecção de futebol da Guiné-Bissau). Aqui não há partidos políticos. O que quero é que nos juntemos à volta desta causa”, disse o presidente.

Outra decisão anunciada por Umaro Sissoco Embaló nesta efeméride, mas que ainda carece do aval dos demais órgãos de soberania, é alterar a toponímia de duas avenidas com o nome dos presidentes do Senegal e da Nigéria. As placas já foram todas preparadas e as avenidas serão inauguradas depois das celebrações no Estádio 24 de Setembro, como consta no programa disponibilizado à imprensa.

A alteração da toponímia das duas avenidas está a gerar alguma controvérsia, sendo questionada a razão que poderá justificar dar o nome de Macky Sall e Muhamud Buary a artérias de Bissau.

O caso de Macky Sall está a ser o mais controverso, não pelas rivalidades entre a Guiné-Bissau e o Senegal, mas pelo facto de o nome do presidente senegalês ir substituir o de um ex-combatente da liberdade da pátria, Caetano Semedo.

Segurança reforçada

A presença de cinco chefes de Estado constitui um motivo de preocupação e o ministro do Interior já reforçou o dispositivo de segurança nas ruas da capital com 2000 agentes. A imprensa guineense noticiou também no dia 21 a chegada de mais 50 elementos de segurança especialmente treinados na Turquia e que, depois das celebrações da Independência serão instalados na Presidência da República para garantir a segurança do Chefe de Estado.

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