Guiné-Bissau: Presidente da República reconcilia alas divergentes do PRS

O Presidente da República (PR), Umaro Sissoco Embaló, promoveu esta terça-feira 20 de Maio um encontro de reconciliação entre o presidente do Partido da Renovação Social (PRS), Alberto Nambeia e três dos fundadores desta formação política.

O encontro, segundo Umaro Sissoco Embaló, visa preservar os valores da Renovação Social e os ganhos que o PRS trouxe à democracia. Numa outra perspectiva, analistas políticos interpretam esta iniciativa como uma estratégia de Umaro Sissoco Embaló para controlar o PRS. Os críticos apontam a Umaro Sissoco Embaló que a Presidência não é o lugar para a reconciliação de lideranças políticas.

Depois de um encontro a porta fechada, as três partes saíram juntos para prestar declarações aos jornalistas. Segundo o Presidente da República promover a concórdia entre os cidadãos é a sua maior missão, por isso, não permitiria jamais que prevalecesse um choque entre os dirigentes de uma formação política como o PRS que tanto deu para a democracia guineense.

“Este é um partido muito importante. O partido de Koumba Yalá que provocou mudanças no cenário político nacional. A par do PAIGC é o único que ganhou as legislativas e presidenciais e todos vocês tiveram um papel importante. Portanto não podia ficar de braços cruzados a assistir a toda essa briga”, disse o PR.

Fazendo uma alusão indirecta ao PAIGC, Sissoco Embaló disse que os problemas de “outros partidos” não podem ser transferidos para o PRS. Um apontamento dirigido ao PAIGC e ao seu presidente, Domingos Simões Pereira, pela alegada participação numa reunião conjunta com o presidente do PRS na tabanca de Patche Yalá que foi o assunto mais criticado pelos veteranos que desafiaram publicamente Nambeia a revelar as reais motivações da sua participação na reunião de Patche Yalá ao lado de Domingos Simões Pereira.

Ibraima Sori Djaló, que há duas semanas acusou Alberto Nambeia de corrupto, intriguista, tribalista e de ter transformado o PRS num partido comercial, tendo apontado Nambeia como um dos mais ricos na Guiné-Bissau, disse sentir-se feliz ao saber que o PR está preocupado e por ter pedido maior ponderação.

“O PR pediu para enterrarmos as armas de guerra. Penso que foi uma boa iniciativa, porque o mais importante é unirmos esforços para o bem-estar do país”, disse Sori Djaló em nome dos veteranos do PRS, Mário Pires e José de Pina.

Alberto Nambeia na sua intervenção demonstrou ter apagado todas injúrias de que foi alvo. Disse que aderiu a iniciativa do PR, porque sabe a importância que os membros do PRS podem ter para a paz e estabilidade na Guiné-Bissau.

 

Resolver problemas dos partidos na Presidência

Entretanto a anunciada reconciliação do PRS está a ser criticada alguns observadores políticos, para os quais é uma “operação de charme” do Chefe de Estado com vista a cativar a simpatia de alguns dirigentes do PRS e manter o controlo da direcção do partido.

Entre os militantes do PRS, um grupo critica violentamente o seu presidente Alberto Nambeia, que não deu espaço aos dirigentes do partido para replicarem os ataques e as críticas que foram proferidas pelos três fundadores.

Tais críticas eram já ouvidas na reunião da Comissão Política que decorre esta sexta-feira 21 de Maio em Bissau em que é debatida o agendamento do V Congresso do PRS, que ‘provavelmente ocorrerá em Novembro’ do ano em curso, mas também sobre o posicionamento do partido relativo ao actual momento político caracterizado pelas exonerações unilaterais levadas a cabo pelo Presidente da República.

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