Guiné-Bissau: Presidente ignora descontentamento no PRS e confere posse ao novo Governo

Depois da recusa do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) integrar o Governo de iniciativa presidencial, seguiu a direcção do PRS que também recusou oficialmente tomar parte, no entanto, alguns dos seus ministros e Secretários de Estado compareceram na tomada de posse na manhã desta sexta-feira 10 de Junho.

O presidente em exercício, nomeado no actual Governo, ministro dos Recursos Naturais, Mário Fambé da Energia e Tcherno Djaló da Educação não compareceram e foram de imediato exonerados pelo Presidente da República Umaro Sissoco Embaló. Antes de ser conhecida a exoneração, o PRS já marcara para a tarde de hoje, uma reunião da Comissão política para debruçar sobre este assunto. Ainda não se sabe se o Presidente da República pediu ao partido para indicar novos nomes, ou se vai avançar para a nomeação de outras figuras nas referidas pastas.

No final da posse, o Primeiro-ministro Nuno Nabian disse à imprensa que a não comparência dos dirigentes do PRS se devia a arranjos feitos na véspera e que, a posse dos mesmos teria lugar na próxima segunda ou terça-feira, quando Chefe de Estado regressar de uma deslocação ao estrangeiro. Porém, está patente a discordância do PRS com algumas movimentações levadas a cabo pelo Chefe de Estado. O partido não aceitou a perda da pasta de Administração Territorial, que o Presidente da República retirou ao partido e entregou ao seu Conselheiro, Fernando Gomes, um dissidente do PAIGC e apoiante de Carlos Gomes Jr.

Tudo podia ser pacífico, mas os procedimentos dos demais dirigentes deixaram transparecer uma ruptura de posicionamento do partido. Um dos vices, Orlando Viegas aceitou assumir o cargo de ministro de Pescas devendo substituir outro vice do PRS, revoltado, Mário Fambé. Neste caso, o PRS queixa-se do facto do Chefe de Estado ter feito uma permuta de pastas sem que a Direcção do partido fosse tida em consideração.

Quando questionado, o Presidente da República disse que o assunto é competência do Primeiro-ministro. Foi então que Nuno Nabian revelou que o mal-entendido estava resolvido desde a noite de quinta-feira 9 de Junho.

Relativamente ao PAIGC, partido que terá recusado integrar ao Governo por considerar “pouco sérias” as garantias quanto às questões prévias que o partido colocara. “Só o PAIGC sabe as motivações para a sua decisão unilateral de não integrar o Governo”, comentou Nuno Nabian.

A este respeito, a posição do Sissoco Embaló parece ser mais concreta. Vincou que os partidos deviam lembrar que está-se perante um Governo de Iniciativa Presidencial e que os partidos foram simplesmente convidados e não têm qualquer legitimidade de reclamar.

No discurso durante a tomada de posse dos membros do Governo, o Chefe de Estado incitou os recém empossados a manterem foco na realização das eleições. Aconselhou também o chefe do Executivo a “não mexer muito” nas estruturas ministeriais, tendo em conta a união que é pretendida. De igual modo pediu a todos os membros do Governo para entregarem as suas declarações de bens junto dos tribunais, para evitar que no futuro o presidente ser apontado por os mesmos membros do Governo não terem respeitado esta exigência.

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