Guiné-Bissau: Presidente quer que 2018 seja o ano da reconciliação, sem interferências externas

O Presidente da República da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, defendeu, este domingo, 31 de Dezembro, que o ano 2018 seja um ano de paz, harmonia, tolerância e de reconciliação nacional.

Na sua mensagem à Nação por ocasião do novo ano, José Mário Vaz disse que o início de 2018 constitui uma oportunidade ímpar para os guineenses darem início à construção dos fundamentos para uma verdadeira reconciliação nacional.

“Mesmo que seja com pequenos passos, devemos corrigir as injustiças, olhar para os erros e apreender com as lições do passado. Não podemos deixar que pequenas coisas nos dividam, todos somos irmãos e é certo de que um dia já divergimos em algum momento nas nossas vidas, mas nem por isso não reconsideramos as nossas posições” insistiu reconhecendo que os guineenses já mostram “sinais de cansaço” com a crise que se tem arrastado ao longo de dois anos e meio e que “provocou sofrimento para todos nós”, disse o presidente.

Para José Mário Vaz próximos dias “serão cruciais” para os guineenses mostrarem ao mundo que são capazes de resolver os seus problemas internos, e pediu aos guineenses a não confiarem mais nos outros que vêm de fora, que desvalorizam e põem de lado os guineenses: “essa atitude não é boa para a imagem do nosso povo e nem para o nosso país”.

“Nós, os guineenses, temos maturidade suficiente para reconhecer o bem e o mal e o penoso impacto que esta crise vem causando junto do nosso povo. Tanto o Acordo de Bissau, o Acordo de Conakri e o roteiro recentemente apresentado em Abuja na Cimeira dos Chefes de Estado da CEDEAO são instrumentos válidos e estão disponíveis para serem apropriados pelos atores políticos e pelo nosso povo. Face a esses instrumentos não há nada que nos impeça de reconciliar ou impedir o nosso entendimento” disse José Mário Vaz.

Referindo-se à crise político-institucional, José Mário Vaz disse que não se pode “isentar ninguém das responsabilidades que lhes cabem enquanto cidadão, ou seja, cada um de nós tem a sua quota-parte da responsabilidade, seja ela directa ou indirectamente, seja por acção, seja por omissão do dever de participação cívica”.

Para Mário Vaz, ao longo do ano 2017, o ambiente nos debates entre políticos foi “mais inflamado” do que mandam as regras da sã convivência e da boa educação e consequentemente afectou toda a sociedade em geral, criando mal-estar “nas casas dos guineenses, entre irmãos, amigos, vizinhos”.

“O actual momento político de crispação que vivemos é inegavelmente uma experiência negativa na nossa democracia, mas podemos igualmente considerá-la como uma oportunidade para os guineenses encontrarem novos caminhos e abordagens para a concretização da tão almejada reconciliação nacional” afirmou.

Em termos de balanço, Jose Mário Vaz considera que o ano 2017 foi o melhor ano para a campanha da castanha de Caju, e sublinhou que o país registou um crescimento da economia nacional e recuperou a confiança de alguns parceiros internacionias.

A participação, pela primeira vez, da selação nacional no campeonato africano das Nações Gabão 2017 foi também um dos feitos realçados pelo chefe de Estado guineense, José Mário Vaz, na sua mensagem à Nação.

Tiago Seide

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