Guiné-Bissau

Guiné-Bissau: Presidente Sissoco indiferente às críticas sobre o nome das avenidas

Bissau

O Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, reagiu à onda de críticas por ter atribuído nomes de Avenidas aos Presidentes do Senegal e da Nigéria. Momentos antes da sua partida no aeroporto Osvaldo Vieira com destino ao Mali, para assistir à tomada de posse do Presidente e vice-presidente da transição, Umaro Sissoco Embaló garantiu estar receptivo para dar nomes a ruas de todos que forem capazes de garantir obras de benfeitorias.

A título de exemplo, Sissoco Embaló assegurou que a avenida que recebeu o nome de Macky Sall, Presidente do Senegal, já está a ser alvo de “profundas modificações”, tendo salientado que quem fica a ganhar são os guineenses e não o presidente senegalês.

“Estamos perante um não problema. Desde ontem que Macky Sall acertou com os responsáveis da empresa Arezky para que a estrada seja alcatroada e com passeios. Mas será que um dia, Macky Sall vai utilizar aquela estrada? Portanto, não estou preocupado. Aliás, mesmo se for você, sr. Jornalista, se me garantir que está em condições para reabilitar ou construir uma rua, ponho o teu nome: Aliu Candé, garantiu Umaro Sissoco Embaló.

A decisão do Chefe de Estado de atribuir o nome dos presidentes do Senegal e da Nigéria, por ocasião do dia da celebração da independência, a avenidas tem provocado divergências de opiniões entre os guineenses. Alguns consideram como um “simples favorecimento de amigos” por parte do Chefe de Estado, tendo em conta que os beneficiários não têm qualquer ligação com a Guiné-Bissau.

A estas críticas, Umaro Sissoco Embaló respondeu diplomaticamente. “É preciso pautarmos pela promoção da boa imagem do país na arena internacional, através de uma diplomacia agressiva e proactiva, com resultados visíveis na nossa economia. Somos todos embaixadores da Guiné-Bissau e é nossa responsabilidade colectiva e individual mudar a imagem da Guiné-Bissau para o mundo exterior”, destacou Umaro Sissoco, numa clara alusão a uma das passagens do seu discurso por ocasião de 24 de Setembro.

Nas comemorações do dia da Independência, Sissoco Embaló reiteradas vezes sublinhou no seu discurso o importante papel que a componente diplomática tem no desenvolvimento do país.

“As eleições acabaram e devemos superar as linhas dos partidos políticos e todos devemos nos perguntar o que podemos fazer por nosso país e não o que o país pode fazer por nós. Temos um objectivo comum que é o desenvolvimento. Durante o meu percurso, tive a oportunidade de referir que juntos construiremos um futuro melhor para a Guiné-Bissau. Para tal, conto com o apoio de cada um de vocês, sem exclusão de ninguém e sem distinções de origem, género, etnia, crença religiosa ou filiação partidária, porque afinal somos a Geração do Concreto”, disse o presidente. “O país, as mulheres, os jovens e todas as franjas sociais, não podem continuar ad eterno à esperar de melhores dias, sem verem acções concretas que possam nos conduzir a esses resultados”, vincou o Chefe de Estado.

 

Notada ausência do PAIGC e da Guiné-Conacri

A celebração da Independência Nacional, para além das críticas por ter ocorrido em época de Covid-19, recebeu a nota positiva em termos da organização. Os desfiles foram aplaudidos, sobretudo com o apoio da TV do Senegal que permitiu a transmissão directa da cerimónia.

Para além das condecorações que também, receberam algumas notas de criticas, as ausências da Guiné-Conacri, um dos países que mais apoiou a Guiné-Bissau na luta armada de libertação, foi das mais notadas. O motivo assenta nas tensas relações entre Umaro Sissoco Embaló e Alpha Condé. O Presidente da Guiné-Bissau não esconde ser um forte opositor a Condé e à sua pretensão de concorrer o terceiro mandato às presidenciais do país.

Sissoco Embaló chegou a sugerir à CEDEAO, na última cimeira da organização, para que interviesse a fim de impedir esta intenção, tendo em conta que, segundo o presidente Sissoco, é um “puro golpe de Estado” modificar à Constituição para concorrer às eleições.

Essa sugestão terá azedado ainda mais às relações entre os dois cujas tensões agravaram nas presidenciais de 29 de Dezembro, quando o gabinete da campanha de Sissoco Embaló acusou Alpha Condé de ser apoiante de um candidato às eleições na Guiné-Bissau.

Outra ausência de assinalar foi do PAIGC e da sua bancada parlamentar que recusou marcar presença, que justificou a sua ausência devida à presença do Governo de Nuno Nabian, o qual o PAIGC não reconhece como legitimo.

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