Guiné-Bissau: Quando Umaro Sissoco não queria ser presidente

Em 2018 o gabinete do primeiro-ministro, que titulava na altura Umaro Sissoco Embaló, negara categoricamente que o “General de povo” estava a preparar a sua candidatura ao posto do Presidente da República, e que poderia defrontar nas eleições o presidente José Mário Vaz que o nomeara chefe do Governo à revelia do partido que vencera a eleições legislativas.

“Amigo do seu amigo, frontal e fiel, fica surpreendido quando recaem sobre ele alguns boatos, como o que circula nas redes sociais e nos média sobre a sua candidatura à Presidente da República, o que ele repudia veemente e afirma que toda e qualquer notícia que o dá como sendo candidato é pura mentira e não passa de uma tentativa de intrigas entre ele e o presidente Jomav, com o qual mantém excelente relações”, lia-se a 29 de Julho de 2018 no comunicado do gabinete do então primeiro-ministro, Sissoco Embaló, em reacção às revelações avançadas na imprensa local guineense.

O mesmo documento, assinado por Sara Ramos da Silva, assessora do Primeiro-ministro para Assuntos Políticos, frisava que Sissoco Embaló afirmava “não ser traidor e por isso jamais trairia JOMAV”, pelo contrário ”ser-lhe-á eternamente grato pela oportunidade que nunca ninguém lhe deu”.

Contrariando a posição manifestada pela antiga assessora em 2018, cerca de um ano depois Umaro Sissoco Embaló apresentou uma candidatura para obter o apoio do Movimento para Alternância Democrática (MADEM-G15), a maior força política da oposição, para concorrer às eleições presidências da Guiné-Bissau. Em Janeiro de 2020 Sissoco Embaló foi declarado vencedor pela Comissão Nacional de Eleições contra o seu rival do Partido Africano para Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Domingos Simões Pereira.

Laurena Carvalho Hamelberg

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