Guiné-Bissau: Remodelação governamental tira três pastas ao MADEM e instala crise

RGB, Palácio Governo

O Presidente da República Umaro Sissoco Embaló procedeu na noite deste Sábado, 24 de Abril, a uma remodelação no Governo de Nuno Gomes Nabiam.

Um dos maiores sacrificados da governação foi o Movimento Alternância Democrática (MADEM G-5) que viu sair do Governo três dos seus militantes e o seu Secretário Nacional ceder o lugar ao Conselheiro do PR.

O PAIGC também foi visado na remodelação governamental, um dos deputados com que contou desde início da legislatura, entrou para o Governo. Contra todas as expectativas, não entrou na remodelação governamental, qualquer dissidente do PAIGC, mas saiu um pretenso candidato a liderança do PRS, Artur Sanhá.

Foi uma remodelação sem surpresa, a não ser o duro golpe contra o MADEM G-15. O partido de Braima Camará para além de não ganhar nenhuma pasta nova na remodelação, perdeu três.

Djibril Arsénio Baldé, porta-voz do partido, Nhima Cissé e Conco Turé, ambos militantes do MADEM deixaram respectivamente as pastas de Educação, Turismo e Comunicação Social. Para os seus lugares entraram três novos ministros, sem qualquer ligação com o partido. Cirilo Mama Saliu Djaló, novo ministro da Educação Nacional era até o início da presente legislatura, Secretário-geral do PND e Fernando Vaz, que conseguiu a promoção para ministro, no Turismo que até aqui era Secretaria de Estado, é presidente da UPG e ex-Conselheiro de Nuno Nabiam na pasta da Comunicação Social, Conco Turé, colaborador directo do Coordenador do MADEM, deixou a pasta de Secretário de Estado, para dar lugar a Fernando Mendonça, colaborador de Carlos Gomes Jr. ex-Presidente do PAIGC.

Nas nomeações, as pastas que o MADEM ocupava tais como a Secretaria de Estado evoluirão para Ministérios com novos membros do Governo. Conco Turé, deixou a Secretaria de Estado de Comunicação Social, que agora vai ser ocupada por Fernando Mendonça, como Ministério. Nhima Cissé saiu da Secretaria de Estado do Turismo, para dar lugar a Fernando Vaz, como ministro.

Uma das saídas mais sensíveis é de Abel da Silva, Secretário Nacional do MADEM, que deixa o lugar a Marciano Silva Barbeiro. São ambos militantes do MADEM, mas nos últimos tempos, Marciano Silva Barbeiro tem estado mais próximo de Umaro Sissoco Embaló.

Do Governo anterior saíram 5 militantes do MADEM-G15, Djibril Arsénio Baldé, Nhima Cissé, Conco Turé, Abel da Silva e Dara Fonseca, militante do MADEM que foi substituída nas funções, por Saloumé Alloche, também do MADEM, na pasta da Secretaria das Comunidades.

PRS retira uma pasta à APU

A remodelação governamental não teve qualquer mexida de fundo no PRS. Jorge Malú, ministro da Energia cede o lugar à Orlando Viegas, dirigente da mesma formação política. De igual modo, Artur Sanhá, ministro do Comércio deixa o Governo para dar o lugar à Tcherno Djaló, também dirigente do PRS. Os Renovadores passaram também a controlar, em termos Ministeriais, o ministério da Administração Pública que até aqui era ocupado pelo partido de Nuno Gomes Nabiam. Para exercer as funções de ministro, Tumane Baldé, dirigente do PRS, saiu de vice-Comissário para a COVID para assumir a pasta da Função Pública.

Na outra dinâmica, Iaiá Djaló, presidente e único deputado eleito nas listas do PND e que esteve ao lado do PAIGC durante a crise política, foi nomeado ministro da Justiça e Direitos Humanos, pasta antes ocupada por Fernando Mendonça que transita para a Comunicação Social.

Jorge Mandinga, dirigente da APU, deixou o Ministério de Transportes e Comunicações, tendo sido substituído por outro dirigente da mesma formação política, Augusto Gomes, ex-secretário de Estado de Cooperação Internacional.

One Comment

  1. Joãozinho Correia

    O Maden aceitou sacrifício para evitar o pior. O seu aliado direto, PRS sentia lesado na partilha de pastas de administradores regionais, onde ameaçava sair da coligação e negociar a nova maioria com o PAIGC.

    O PND que aliou com o PAIGC, saiu também na porta traseira para entrar no Governo do seu adiversário no início da nomeação do governo de Nabian.

    Tudo o que se especulava sobre a saída do Nuno, afinal, não passava de especialização, contudo o Sissoco arranjou -lhe a “cumboça” na primatúra.

    A saída do Abel da silva no Ministério da agricultura e consequentemente nomeação Marciano Silva como Ministro de Estado da Agricultura, surpreendeu muita, porque o ministro demitido, Mastrou sempre activo, fora do seu gabinete e da cidade de Bissau, ou melhor esteve sempre presente no campo.

    Agora com muitos Ministros de Estado, que não existiam no governo anterior, que não conseguimos perceber o que isso significa? Será que são simples promoções, ou vão acarretar outras encargos ao tesouro público?

    O desidentes do PAIGC ficaram todos do lado da “cauda” , pois nenhum deles consegui sair do parlamento para o governo.

    O Maden vai mesmo conformar com perda de três pastas, para agradar os seus aliados e apoiantes do Embaló. É preço pago para as alianças.

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