Guiné-Bissau: Renúncia de Alberto Nambeia abre conflito entre militantes do PRS

O Presidente do Partido da Renovação Social (PRS) dirigiu uma carta à Comissão Política Nacional do partido na qual renuncia ao direito de ser cabeça de lista do partido nas próximas eleições legislativas e presidenciais, conforme o artº 37º nº 2 dos Estatutos desta formação política.

Alguns militantes consideraram ser decisão “normal”, num quadro partidário, mas as suas consequências podem ser graves para o PRS. O partido, desde há cerca de cinco meses praticamente não tem uma liderança respeitada e quando se aproximam as eleições, sobretudo quando Alberto Nambeia poderá não indicar quem é o substituto, como fez no caso da presidência direcção, a situação será ainda mais complicada.

Com a decisão de Alberto Nambeia, cabe agora à Comissão Política escolher uma figura entre os seus militantes ou não. Esse cenário aponta para um conflito que pode abrir as portas a interferências externas.

Na carta, Alberto Nambeia, eleito em Janeiro presidente durante o 6º Congresso do partido, não invocou os motivos da sua decisão, mas destaca que dada a necessidade de reforçar a actual dinâmica empreendida e após uma reflexão profunda, tendo para tal auscultado a família, amigos chegados e a direcção superior do partido, decidiu comunicar à Comissão Política Nacional a sua decisão.

“Assim a Comissão Política tem a total liberdade de proceder em conformidade com os preceitos estatutários a escolha de um cabeça de lista para representar o partido nos próximos embates eleitorais que, seguramente o povo aguarda com muita expectativa. O presidente do PRS assegurou manter a sua disponibilidade como sempre para continuar a trabalhar para a coesão interna do partido, consequentemente para a paz e o desenvolvimento do país”, escreveu Nambeia.

A problemática escolha de uma figura consensual

A renúncia de Alberto Nambeia será um fardo pesado para o PRS. A actual direcção interina liderada em Bissau por Fernando Dias, não tem a plena aceitação dos militantes, o que acaba por tornar o PRS vulnerável.

Um dos exemplos aconteceu no momento da remodelação governamental e dissolução do parlamento que ocorreu em Maio. A Direcção tomou a posição de que nenhum dos seus militantes tomasse posse, mas dos dez membros do Governo, que são militantes do PRS, ninguém obedeceu.

O próprio presidente do partido que foi nomeado para uma das funções e recusou tomar posse, acabou por ser excluído do Governo (ele e mais dois vice-presidentes, Tcherno Djaló e Mário Fambé), sem que fossem informados. O Presidente da República repescou três militantes do PRS para os seus lugares, e ninguém informou o partido.

Neste caso, de cabeça de lista, a polémica será maior. O candidato da Direcção interina ainda não é conhecido, mas o nome que já circula aponta para Florentino Mendes Pereira, ex-secretário-geral e um dos homens fortes dos dois mandatos de Alberto Nambeia.

Essa possibilidade não é absolutamente sustentável, tendo em conta que Florentino Mendes Pereira e Nambeia entraram em colisão no último Congresso. Orlando Viegas, actual ministro das Pescas, é também uma hipótese avançada, mas neste momento está em litígio com a direcção em exercício liderada por Fernando Dias.

Na mesma situação está Nicolau dos Santos. O líder da bancada do PRS até à dissolução do parlamento, que chegou a dirigir em exercício o partido antes do Congresso, perdeu espaço e influência no restrito círculo de Alberto Nambeia.

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