Guiné-Bissau: Resolução do PAIGC chumbada pelos seus deputados e nova maioria

O Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) falhou na última semana a aprovação de um projecto de resolução na Assembleia Nacional Popular (ANP).

O projecto de resolução não conseguiu obter o voto de 52 deputados necessários, quando seis deputados do PAIGC e mais um do Partido Nova Democracia (PND) votaram contra.

A conduzir os trabalhos, o presidente da ANP, deputado do PAIGC, não votou. A nova maioria parlamentar que suporta o Governo de Nuno Gomes Nabiam, confirmou ter votado contra a resolução apresentada pelo PAIGC, porque os mentores do projecto recusaram liminarmente que seja incluído no documento o nome do Governo ou de Umaro Sissoco Embaló.

A proposta de resolução foi apresentada pelo PAIGC três dias depois de intensos debates sobre a situação política do país.

Nesses debates, o PAIGC recusou assistir à intervenção dos membros do Governo, alegando que não reconhece o actual executivo nem o Presidente da República.

A atitude do PAIGC de abandonar a sessão no momento de intervenção dos deputados provocou uma reacção dos parlamentares da Alternância Democrática, levando o seu líder da bancada a considerar uma frustração o comportamento do partido adversário.

PAIGC lamenta atitude dos seus militantes refractários

A bancada parlamentar do PAIGC lamentou a atitude dos seus militantes refractários e prometeu que, a nível interno, as responsabilidades serão “sacadas aos infractores”.

Califa Seidi, líder da bancada parlamentar do PAIGC disse à imprensa que lamentava o comportamento dos seus colegas, porque a resolução seria importante para o país.

Relativamente ao comportamento dos colegas, o político esquivou-se de entrar em detalhes, indicando apenas tratar-se de um problema que deve ser resolvido internamente.

Nelson Moreira, vice-líder da bancada parlamentar da Alternância Democrática qualificou absurda a relutância e intransigência do PAIGC em ver o nome do Governo e a figura do Presidente da República serem mencionados.

“Isso não passa pela cabeça de ninguém. O documento vai ser entregue ao Governo e ao Presidente da República. Se isso é verdade, por que razão os seus nomes não podem constar?”, questionou.

Os seis deputados do PAIGC contra o PAIGC

Caso os seis deputados refractários do PAIGC tivessem votado a resolução, seriam precisamente 52, tendo em conta que dois deputados do PAIGC não estavam na sessão.

Os deputados refractários alinhando com a nova maioria, voltaram a constituir o conjunto de 55 deputados que já aprovara o programa do Governo.

A fim de demonstrar ter garantida a nova maioria, o deputado da Alternância Democrática, e lider do mesmo partido, Braima Camará requereu o debate de urgência sobre a situação do país.

O debate deverá ter lugar ainda esta semana, faltando apenas o cumprimento de algumas etapas burocráticas. Uma proposta que deverá ser aprovada, tendo em conta o bloco MADEM/PRS ao qual adiciona-se os dissidentes do PAIGC, totalizando 55 deputados.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *



Artigos relacionados

Dieta saudável rica em fruta pode reduzir risco de diabetes tipo 2

Dieta saudável rica em fruta pode reduzir risco de diabetes tipo 2

Num estudo com 7.675 australianos, o maior consumo de frutas foi associado a melhores índices de tolerância à glicose e…
Cabo Verde: PAICV preocupado com pobreza no Paul

Cabo Verde: PAICV preocupado com pobreza no Paul

O dirigente da bancada do PAICV, Nilton Delgado, realçou no discurso feito na sessão solene da Assembleia Municipal do Paul que a pobreza é o maior desafio neste concelho. …
A falta de educação matemática afeta negativamente o desenvolvimento do cérebro

A falta de educação matemática afeta negativamente o desenvolvimento do cérebro

Um novo estudo, publicado este mês no Proceedings of the National Academy of Sciences, mostra que, dentro da mesma sociedade,…
Moçambique: Total diminui força de trabalho no país

Moçambique: Total diminui força de trabalho no país

A petrolífera francesa Total decidiu reduzir a sua força de trabalho em Moçambique, na sequência do recente ataque armado contra Palma. Recorde-se que este local é…
Share on facebook
Share on google
Share on twitter
Share on linkedin