Entrevista | Guiné-Bissau

Guiné-Bissau: “Se eu for candidato à presidência, o DSP votará em mim”, diz Umaro Sissoko

Umaro El Mokhtar Sissoko Embaló

O ex-primeiro-ministro guineense Umaro El Mokhtar Sissoko Embaló tornou-se, a par do empresário Braima Camará, numa das figuras mais emblemáticas do Movimento da Alternância Democrática (MADEM-G15). Com apenas sete meses de existência, o MADEM-G15, resultado de uma cisão no PAIGC, conseguiu alterar a paisagem política guineense tornando-se na segunda força política do país.

Para Umaro Sissoko, terceiro vice-coordenador do partido, o resultado obtido pelo MADEM-G15 nas eleições legislativas de 10 Março era expectável. “Inicialmente as pessoas fizeram um erro de avaliação, mas o MADEM é um partido novo com pessoas experientes na vida politica guineense. E vendo os candidatos carismáticos do MADEM, era de esperar”, afirma, justificando o resultado atingido.

Segundo o ex-primeiro-ministro o objectivo do MADEM-G15 “não era ganhar as eleições” mas obter pelo menos 35 deputados. “Disseram-me, conta Umaro Sissoko, que o Gabinete Estratégico do PAIGC considerava que o MADEM apenas conseguiria cinco deputados, eu disse que se o MADEM obtivesse menos de 20 deputados eu deixaria a vida política activa. Para mim nunca poderíamos ficar na terceira posição”.

A explicar o “sucesso” do MADEM, Umaro Sissoko defende que os resultados nas eleições de 10 de Março têm de ser analisados, também, numa óptica étnica. “A base sociológica do PAIGC era composta por Mandigas e Beafadas, os Fulas não votam muito PAIGC. Com o Braima Camará e comigo houve uma grande mudança, e nós fazemos uma dupla. Essa dupla resultou. O Braima Camará é oriundo do leste, e o meu pai também é oriundo do leste. Apostamos no leste assim como no sul”.

“Decidimos fazer uma campanha humilde e com meios limitados”, conta o ex-primeiro-ministro. “Eu e o Braima dissemos que não deveríamos hipotecar o país, apesar de várias empresas terem-se disponibilizado a financiar a nossa campanha. Mas nós dissemos que não. Porque nós entendemos que a liberdade não se compra e assim não teríamos compromissos com ninguém. Para o PAIGC foi diferente porque para eles era uma questão de vida ou de morte. Era uma questão de sobrevivência”.

Segundo Umaro Sissoko a questão religiosa também teve peso nos resultados eleitorais. “Nós do MADEM, eu e o Braima Camará, porque eu sei o que ele pensa, nunca mais pensamos na hipótese de regressar ao PAIGC. Isso porque as pessoas no PAIGC são muito hostis aos muçulmanos e eu sou muçulmano”. O ex-primeiro-ministro defende que o MADEM “está aberto a todos, somos um partido de inclusão nacional. Mas o PAIGC é como uma monarquia, há pessoas que podem chegar até primeiro-ministro mas nunca podem vir a ser o Rei”, acusa.

“O Domingos Simões Pereira é muito hostil aos muçulmanos, por isso a única divergência que eu tenho com o Domingos Simões Pereira é devida à questão religiosa e à questão étnica. Eu sou muçulmano sunita, com pai Fula e mãe maliana Malinké, e tenho muito orgulho nisto. Mas eu também tenho uma irmã cristã, e a minha esposa é Católica praticante tendo nós casado pelo civil em Portugal. Isto prova que sou uma pessoa com total abertura”, sublinha Sissoko.

Pouco antes de a Comissão Nacional de Eleições (CNE) anunciar o resultado do sufrágio de 10 de Março, o PAIGC antecipou-se e estabeleceu um acordo com o APU-PDGB a fim de viabilizar uma maioria na assembleia.

“A aliança PAIGC/APU-PDGB é precária, diz Umaro Sissoko, não acredito que cheguem até ao fim de um mandato, nem acredito que cheguem a formar” um governo. “Mas se chegarem a formar governo, não vai durar mais que três meses. Tenho uma grande reserva sobre o Domingos Simões Pereira, eu sei porque tenho experiência própria quando fui primeiro-ministro e qual era a aliança que eu tinha com o Domingos Simões Pereira. A palavra política do Domingos para mim não vale”.

Umaro Sissoko afirma também que entre Domingos Simões Pereira e Nuno Nabiam “há uma desconfiança” recíproca, e garante que se o líder do APU-PDGB, Nuno Nabiam, “reavaliasse essa aliança veria que” o MADEM é o “aliado natural, mais sério e coerente, para a sobrevivência do Nuno Nabiam. O PAIGC não pode dar ao Nuno o que ele quer”, sublinha e acrescenta: “ Se o Nuno Nabiam tivesse uma atitude patriótica tinha se aliado connosco. Uma pessoa que vem da oposição, fica na oposição. Mas legitimar outra vez o PAIGC, não”.

Fazendo alusão ao seu percurso político e passagem na chefia do Governo, Umaro Sissoko diz que conhece “muito bem” Domingos Simões Pereira e José Mário Vaz e garante que “são duas pessoas antagónicas” e “incompatíveis”. Por esse motivo, diz Sissoko, “se o Domingos Simões Pereira for nomeado primeiro-ministro, teremos uma repetição da crise”.

Apesar de o MADEM ser o resultado de uma cisão no PAIGC, e a APU-PDGB de uma cisão no PRS, Umaro Sissoko defende a constituição de uma larga aliança partidária na assembleia. “O Domingos Simões Pereira deveria reunir com o MADEM e o PRS e criar um governo de unidade e salvação nacional durante uma legislatura. Esta seria a melhor fórmula para sair da crise. Ele deveria pôr de lado a euforia e os cálculos, e tem de compreender que os civis são espertos mas os militares são inteligentes, eu sou militar. Um governo de salvação nacional seria o mais inteligente”, considera Sissoko sublinhando que uma “aliança governamental do MADEM com o PAIGC é possível” porque em “política não existem inimigos permanentes”.

Sobre a possibilidade de ser candidato à eleição presidencial Umaro Sissoko diz que se o MADEM entender que é a figura que “pode levar à vitória” e se a comissão nacional o escolher: “Estarei disponível para esse desafio”.

“Mas apenas serei candidato pelo partido após disputar primárias. Sou democrata, sem primárias não serei candidato. Por aclamação, não. Temos de ter uma eleição interna e assim toda a gente estará envolvido”, precisa o ex-primeiro-ministro que acredita que a sua possível candidatura à presidência da República irá atrair um eleitorado do PAIGC e “acredito que até o Domingos Simões Pereira votará em mim”, diz Umaro Sissoko.

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3 Comentários

3 Comments

  1. Adulai Djalo

    27/03/2019 at 19:51

    O mentiroso mais compulsivo, tem por vezes respeito pelo que diz. Este senhor Sissoko Embalo esquece ou faz se de esquecido? Quem se diz politico, quando aos quatro ventos lança os seus propòsitos, tem que assumir as consequências: Os dirigentes do madem g 15, ao não conseguirem o seu propòsito, que era relegar o grande PAIGC para a oposição, agora veem com falinhas mansas, ditas reconciliadoras, sò para serem incluidos no pròximo governo. Um politico que se preze-caso o fossem-ter se iam demitido da liderança do madem, ao falharem o objectivo ao que se propuseram, que era acabar com o PAIGC.Estranho objectivo o deles. Um partido digno deste nome lutaria para ganhar as eleições e de seguida promover a unidade nacional para a reconstrução, que bem precisam o povo e o pais. Fizeram uma campanha baseada no tribalismo e conotações religosas, na vã tentativa de dividir os guineenses que o PAIGC sempre uniu.O povo guineense é composto por vàrios grupos êtnicos. A luta de libertação nacional foi levada a cabo nesta base. O tribalismo não pode ter lugar no pais. Obrigado

    • Braima

      27/03/2019 at 23:29

      Uma autentica peça de teatro!

  2. Nadilé

    28/03/2019 at 21:13

    Este homem fala sem reflexão, fala a toa!!
    Não mede as consequências das suas barbaridades!!

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