Guiné-Bissau será o cemitério do polémico avião A340

Está longe de chegar ao fim o imbróglio do avião Airbus A340 retido em Bissau por ordem do primeiro-ministro, Nuno Nabian.

Ainda com o país a aguardar pelas conclusões do inquérito sobre a proveniência e carga transportada, mas também pelas informações dos voos efectuados pelo aparelho nos últimos quatro anos, um novo elemento foi tornado público.

A 28 de Dezembro, o primeiro-ministro recebeu representantes dos partidos políticos e da Sociedade Civil para abordarem os últimos acontecimentos na Guiné-Bissau. Expectavelmente, um dos temas abordados foi relativo ao “caso do avião”.

O aparelho, Airbus A340, terá sido abatido dois dias depois de chegar ao país, pelo que neste momento existem muitas questões pendentes em torno do mesmo. Internamente os ânimos parecem serenar porque nem todos sabem que o avião já não tem dono, pelo que uma das probabilidades é sua permanência sine die na Guiné-Bissau e Bissau será o cemitério do controverso Airbus A340. Nesta polémica as atenções focalizaram-se em rumores de uma suposta carga ilícita que o aparelho teria transportado, enquanto o relatório for apresentado, as os rumores e suspeições permanecem.

A questão do abate do avião foi fugazmente abordada pelo chefe do Executivo, Nuno Nabian, no quando foi ouvido no parlamento sobre a situação política do país, mas nem todos prestaram atenção ao assunto, que começou a cair no esquecimento. Para alguns observadores o aparelho permaneceu retido por decisão do primeiro-ministro, no entanto como o avião tem patente, não pode deslocar para qualquer destino.

Segundo dados fornecidos pelos serviços aeroportuários, o avião entrou e aterrou na Guiné-Bissau com uma patente de Gâmbia ‘C5’, a qual já não é válida.

Ainda não se sabe quais foram os motivos que estiveram na origem do abate, mas um técnico aeronáutico explicou que os abates dos aviões fazem-se por várias razões. Ou por estar fora de navegabilidade, ou por ter sido roubado ou por exportação para um país estrangeiro. “Podemos até dizer que este aparelho preenche alguns critérios atrás descritos. Mas, falta saber quem pode estar por detrás de tudo isso”, disse o mesmo técnico.

O Primeiro-ministro continua a defender que o aparelho entrou no país de forma ilegal, enquanto o Presidente da República diz tratar-se de um procedimento bem observado e com conhecimento de diferentes entidades da aviação civil. Umaro Sissoco Embaló garantira que, o A340 “é um avião de gente séria”, e provavelmente mais sérios que ele mesmo. No entanto, nunca se soube quem é o proprietário do aparelho, nem foi tornado público o documento no qual o Chefe de Gabinete do Presidente da República pede autorização para o aparelho aterrar no aeroporto internacional de Bissau.

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