Entrevista | Guiné-Bissau

Guiné-Bissau: Serifo Nhamadjo qualifica de “espectáculo desagradável” qualquer argumento que impeça nomeação do novo PM

Manuel Serifo Nhamadjo

O antigo Presidente da República, Manuel Serifo Nhamadjo, afirma que o debate étnico-religioso, em voga, nos últimos tempos no país, é uma “falsa questão”, promovido pelos políticos. Confirmou que será candidato nas primárias do PAIGC, visando as presidenciais, e destaca as boas relações com o presidente do partido, Domingos Simões Pereira.

Nesta longa entrevista à e-Global, Manuel Serifo Nhamadjo, aconselhou José Mário Vaz, a cumprir a lei, como a melhor forma de dirimir o actual conflito pós-eleitoral, assente na nomeação de um novo primeiro-ministro.

Segundo Manuel Serifo Nhamadjo é hora do chefe de Estado guineense, José Mário Vaz, convidar o PAIGC, enquanto partido vencedor nas ultimas eleições legislativas, a indicar o nome do primeiro-ministro e consequente permitir a formação do novo Governo. “Tudo resto, que pode servir de argumento, é um mero espectáculo. Espectáculo desagradável”, precisou.

Para o antigo Presidente da República, se fosse ele, José Mário Vaz, a gestão da sua magistratura seria baseada na busca de largos consensos sobre as grandes questões da vida nacional. “No passado tivemos capacidade de buscar largos consensos, fazendo as pessoas juntarem-se à volta de grandes questões nacionais. Certamente, o Presidente José Mário Vaz não soube aproveitar a disponibilidade e esperança que havia. Ele tinha tudo para fazer a Guiné-Bissau um outro país”.

Aos actores políticos guineenses, Serifo Nhamadjó, apelou a maior foco no essencial, face à “situação difícil em que o povo e o país se encontram”, pautando pelo espírito de humildade para ultrapassar as actuais diferenças:

Manuel Serifo Nhamadjo é candidato às primárias do PAIGC, tendo, por ouro lado, descartado a possibilidade de qualquer candidatura independente, em caso do seu nome não ser aprovado pelos órgãos do partido, tal como aconteceu no passado, porque houve violação das regras internas, refere ainda o antigo Presidente guineense, que dirigiu a transição política na Guiné-Bissau entre 2012 a 2014. Manuel Serifo Nhamadjo salientou, por isso, estar “fora de questão”, qualquer candidatura independente, vinda da sua parte.

O antigo Presidente da República avaliou, por outro lado, a dinâmica interna no PAIGC, perante a actual situação política do país. A propósito, considera que a formação política, da qual faz parte, está a demonstrar maior maturidade na solução dos problemas do país e na gestão dos conflitos patentes.

Manuel Serifo Nhamadjo afirma também ter boas relações com o Presidente do PAIGC, Domingos Simões Pereira. “A única diferença reside nas nossas opções de clubes de futebol em Portugal. Ele é sportinguista e eu sou benfiquista”, precisou o antigo Presidente da República.

Manuel Serifo Nhamadjo referiu as questões étnico-religiosas que têm dominado os recentes debates, e defende que é uma “falsa questão”, promovida pelos políticos sem argumentos. “Os que usam a religião têm coerência, porque os que mais falam da religião, vendo as suas práticas, se quer, sabem rezar”, refere.

Para o antigo Presidente da Republica é preciso cultivar o espírito de humildade para superar os problemas existentes, como via para construir o país. Daí que, no seu entender, o papel do Chefe de Estado guineense, José Mário Vaz, deveria é ser de garante de estabilidade, para que o Executivo faça o seu trabalho, promovendo o “diálogo permanente para a busca de grandes consensos”, concluiu.

Manuel Serifo Nhamadjo foi um dos vice-presidentes do Parlamento e antigo Presidente da República de Transição, de 2012 a 2014.

© e-Global Notícias em Português
Comentar

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Topo