Guiné-Bissau

Guiné-Bissau: Sindicato diz que o grau de insatisfação dos servidores públicos atingiu um nível elevadíssimo

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O secretário-geral da União Nacional dos Trabalhadores da Guiné – Central Sindical (UNTG -CS), Júlio Mendonça, pediu aos governantes guineenses a mudarem a forma de governar a Guiné-Bissau, porque o “grau de insatisfação dos servidores públicos atingiu um nível elevadíssimo” e se não houver uma mudança radical na forma de gestão e repartição dos recursos patrimoniais e financeiro do Estado, a classe sindical será sempre obrigada a usar meios de pressão disponibilizado pelo legislador constitucional para tingir os objectivos preconizados nos seus estatutos.

No sábado, 03 de Agosto, por ocasião da celebração do dia dos Mártires de Pindjiguiti, Júlio Mendonça solicitou a cada cidadão que tire ilações e que faça análise subjectiva do quanto beneficiou em nome do estado da Guiné-Bissau e quanto já contribuiu para o bem-estar e progresso do país.

Aos responsáveis políticos e governantes guineenses, o sindicalista avisou que chegou o momento de conformarem as suas actuações com base no princípio da legalidade, agir com o único propósito promover o bem-estar do povo, em particular daqueles que trabalham diariamente e pagam impostos ao Estado.

Para que isso aconteça, Júlio Mendonça sublinhou a necessidade de o governo ter a coragem de implementar todos os diplomas legais emanados pelo estado, e convenções internacionais ratificadas, asseverando que é necessário ainda que o executivo crie condições materiais para que os servidores públicos possam desenvolver as suas actividades, serem acompanhados no exercício das suas funções, através da avaliação periódica e dignificados com um salário que lhes permita sobreviver enquanto legítimos agentes administrativos do Estado.

“Vamos convergir esforços para mudar rumo de acontecimentos nesta terra, começando pela organização da nossa administração pública, promovendo princípio de igualdade, de oportunidade, de ingresso na função pública, combater a corrupção generalizada no aparelho de Estado, proteger, em conjunto, o património de Estado como o bem comum e promover a justiça em nome do povo. Vamos cada um de nós, cidadãos desta terra, colocar o país em cima de interesses individuais, políticos e partidários e dizer Guiné-Bissau, guineense, em primeiro lugar” desafiou Júlio Mendonça.

“Ficou evidente que as duas centrais sempre agiram com a boa-fé, razão pela qual concederam ao governo uma trégua, esperando da sua parte que sejam criadas condições objectivas para a promoção de diálogo sério e responsável tendente à resolução de problemas sócio laborais, recenseados no caderno reivindicativo e o pré-aviso de greve” disse, apelando ao governo que se agilize a fim de criar “condições objectivas o mais breve possível” para concluir o processo negocial em curso, uma vez que “não se pode permanecer numa indefinição porquanto o sofrimento dos trabalhadores e servidores públicos já está no limite”.

Aos trabalhadores, Júlio Mendonça lembrou que a união será sinónimo de triunfo da classe, com ela conquistarão mais direitos laborais e protegeremos os seus interesses legítimos, para isso, “temos que cultivar a cultura de pagar as quotas, através de um pequeno gesto, contribuindo no fundo sindical para evitar a chantagem, a retaliação promovida pelo governo a mais de 7 meses contra centrais sindicais”.

“Somos parceiros incontornáveis do governo, porque representamos a classe produtora da riqueza do país, e com base neste estatuto temos a legitimidade de exigir, pressionar e reclamar junto do Estado, principalmente do governo a melhoria de condições laborais e a dignificação da classe trabalhadora guineense. Esse direito assiste-nos e temos que evoca-lo quando for necessário, mas também se os representantes do governo não perceberem e optarem por retaliação, através do bloqueio de fundos, consignados há décadas a favor das duas centrais, esta forma de actuação não consistirá ameaça na implementação do plano estratégico e promoção da luta sindical para dignificação dos trabalhadores guineenses” avisou Júlio Mendonça.

Tiago Seide

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