Guiné-Bissau: Sissoco ameaça demitir Nuno Nabian e não poupa Braima Camará

O Presidente da República (PR) da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, disse este sábado que não tinha qualquer dificuldade em demitir Nuno Gomes Nabian do cargo de Primeiro-ministro, tendo em conta que este não assumira essa função através de uma vitória eleitoral.

Em reacção a polémica instalada sobre a retenção da aeronave, de proveniência desconhecida, Umaro Sissoco Embaló, disse que Nuno Gomes Nabian não se deve dar ao luxo em o desafiar, porque há uma linha vermelha que não deve pisar.

Na mesma reacção, o PR não poupou Braima Camará, coordenador do Movimento para Alternância Democrática (MADEM) com quem as relações têm, aparentemente, piorado nos últimos tempos. O PR afirmou que, sabe que o deputado José Carlos Macedo foi orientado por alguém para lhe insultar, numa alusão às revelações feitas no parlamento em como foi o Gabinete do PR que pediu a aterragem do aparelho suspeito, e que, o seu confronto não será com o denunciante, mas sim o mandatário.

Sobre o avião da polémica, com revelações por vezes contraditórias, o PR avançou que os proprietários são sérios, não revelando todavia a sua identidade. Porém, começou por afirmar que não tinha conhecimento da vinda da aeronave e só a viu quando deslocava para Escócia para participar na COP 26.

Segundo o chefe de Estado nem o ministro do Interior ou o da Defesa, com quem falou na altura, sabiam da proveniência do aparelho. Disse que soube da presença do aparelho através do presidente da Mauritânia, na própria Cimeira, quando aquele lhe disse que o aparelho estava no país para a instalação de um hangar de reparação dos aviões na costa Ocidental da África. Conforme avançou, o presidente da Mauritânia dissera que escolheu a Guiné-Bissau, porque os países como Gâmbia e Guiné Conacri, não podem receber o aparelho.

A opção da Gâmbia terá sido afastada devido às eleições em Dezembro e Guinée Conacri também, porque está com problemas internos. O PR adiantou também que, antes da chegada do aparelho, o seu Chefe de Gabinete manteve encontros com o Chefe do Estado-Maior da Força Aérea e o Presidente do Conselho da Administração da Autoridade da Aviação Civil da Guiné-Bissau. “Quando o Presidente da Mauritânia falou comigo, liguei de novo para o ministro do Interior e disse-lhe, olha afinal, é apenas um problema de lapso. As pessoas sabiam daquilo, não sei porque é que não contaram. Estamos a falar de um projecto rentável para a Guiné-Bissau. Vai dar dinheiro a Força Aérea, a Defesa”, contou o PR.

Explicações que não coincidem com as fornecidas pelo Governo. Em Conselho de Ministros presidido por Nuno Gomes Nabian, e que contou com a presença dos ministros do Interior e da Defesa, afirmaram que desconheciam a proveniência do aparelho, tendo o Governo decidido instituir uma Comissão de Inquérito para apurar as circunstâncias da aterragem do aparelho.

“Aguardem para o dia 17, vão ver a decisão que vou tomar”

Na mesma ocasião o Presidente disse que não há ninguém que pode de impedir a aeronave de descolar, basta ele querer. Assegurou que está a ser objecto de muita pressão dos parceiros da coligação que o apoiou, porque mantém a determinação de lutar contra a corrupção.

“Sabia que os meus problemas enquanto PR teriam início no meu campo. Porquê? Porque a promessa que fiz na campanha com vassoura na mão, está a ser cumprida. Vou lutar contra a corrupção e tráfico de droga. É isso que está a acontecer e que está a irritar as pessoas. Alguns deles chegam junto de mim, para dizer, Presidente fechaste tudo e não deixas nenhum buraco. Buraco comigo? Esqueçam. Portanto a irritação na aliança deve-se a isso”, declarou o PR.

Umaro Sissoco Embaló não tem dúvidas que todo o ruído que em torno do aparelho, tem apenas uma finalidade: desviar atenção das pessoas sobre a droga. “Mas não vai acontecer. Aguardem para o dia 17, vão ver a decisão que vou tomar. É dentro de dias. Chega. Não podemos continuar assim e não há problema algum de irmos as eleições. Mas, escrevam uma coisa: Koumba Yalá foi o último Presidente vítima de golpe de Estado e Nino Vieira, foi o único morto nas funções. Acabou tudo isso, enquanto eu for PR”, ameaçou o chefe de Estado.

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