Guiné-Bissau: Sissoco e Saido Baldé arrasam Paulo Sanhá na posse do novo Presidente do STJ

O novo Presidente do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) revelou que, uma das pessoas que a concorrer ao cargo foi o presidente da Comissão Nacional de Eleições, o Conselheiro, José Pedro Sambú, acompanhado do Desembargador, Arafan Mané.

Tal pedido foi manifestado em pleno contencioso eleitoral (17 de Março), segundo Mamadú Saido Baldé e foi fundamentado com o “rumo errado” com que a então direcção liderada por Paulo Sanhá estava a conduzir a justiça guineense.

Esta terça-feira 25 de Maio, no acto de tomada de posse da nova Direcção do STJ, eleita dia 18 do corrente mês, Saido Baldé assegurou que o pedido de José Pedro Sambú, só veio relançar o projecto Mudança que ele mesmo encabeçara nas eleições anteriores, mas que saíra derrotado. O novo presidente do STJ assegurou que não podia recusar porque “a Direcção de Paulo Sanhá estava objectivamente desgastada” e a justiça estava a ser prejudicada.

“Naquele encontro ocorrido no Bairro D’Ajuda reflectimos sobre o Estado da justiça e dos tribunais. Fui interpelado a assumir a minha responsabilidade natural em liderar a alternativa à então direcção em final de mandato que, mostrava um desgaste na gestão do contencioso eleitoral, na sequência da segunda volta das eleições presidenciais, o que estava a minar a credibilidade desta corte suprema e com consequências negativas para a imagem da justiça e dos tribunais”, disse Mamadú Saido Baldé.

Sem citar nomes, Mamadú Saido Baldé assegurou que, com o seu grupo de reflexão, aperceberam no mesmo dia que, aquele que podia ser o seu adversário no processo, já estava numa fase avançada da preparação da sua candidatura, enquanto ele e o seu agora vice-presidente, preocupavam-se com as páginas do contencioso eleitoral “visando a reposição da legalidade contra o eixo do mal apoiadas ostensivamente por ilegais”, qualificou o novo presidente do STJ.

Saído Baldé disse também que aceitou o pedido dos colegas e relançou o projecto ‘Mudança’, porque já vinha das eleições anteriores. Relativamente aos que não votaram nele, o presidente do STJ disse que espera conquistar a confiança dos mesmos, para a dignificação da justiça que neste momento atravessa maus momentos.

 

“Não vou dizer obrigado a direcção cessante”

Por sua vez, o Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, na cerimónia de tomada de posse, disse: “Não vou agradecer a direcção cessante, porque não fizeram um bom trabalho. As suas prestações caíram para o nível mais baixo de sempre. A ética e transparência foram gravemente atingidas com a direcção cessante”.

A fundamentar a sua acusação, Umaro Sissoco Embaló referiu a segunda volta das eleições presidenciais em que, segundo o chefe de Estado, a direcção cessante do STJ tentou substituir a Comissão Nacional das Eleições, que é a única entidade responsável para o anúncio dos resultados. Portanto a Direcção cessante quebrou confiança que o povo depositava na justiça”.

Bastante crítico contra Paulo Sanhá, Embaló vincou que a cruzada da direcção de Paulo Sanhá “contou com o apoio da candidatura derrotada que chegou ao absurdo de pedir a nulidade das eleições através de um contencioso artificial”.

Na noite do mesmo dia, através do canal de televisão estatal, Umaro Sissoco lembrou que Paulo Sanhá como “um simples cidadão”, se tiver algum problema com a justiça terá “obrigatoriamente prestar contas” à justiça.

One Comment

  1. Henri

    J’ai pourtant observé et analysé les différents arrêtés du STJ au deuxième tour des élections. Je n’ai pas remarqué d’anomalies de droit ni de fonctionnement. Les anomalies sont venues de la CNE et non du STJ. Ou alors peut-être celui-ci a eu trop de patience? En effet, au vu du type de défaillance de la CNE, il avait la possibilité d’annuler les élections , mais sagement n’a pas voulu le faire pour des défauts de procédure.

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