Guiné-Bissau

Guiné-Bissau: Sissoco Embaló promete ordem, disciplina e união entre os guineenses

Umaro Sissoco Embaló

O novo Presidente da República falou pela primeira vez à nação a 1 de Janeiro. No discurso à nação e em crioulo, o general, Umaro Sissoco Embaló, novo Presidente da República prometeu tirar o país no chão, restaurar a ordem e impor a disciplina. Num dos hotéis da capital, Umaro Sissoco Embaló dirigiu-se à nação com promessas de unidade nacional e concórdia. “Não serei jamais aquele presidente que vai dividir os guineenses”, afirmou.

Umaro Sissoco Embaló, cuja intervenção era ciclicamente interrompida por aplausos, prometeu o combate a corrupção, garantindo que, antes do seu empossamento vai apresentar ao país a lista dos seus bens, e o mesmo exigirá aos futuros membros do Governo com quem vai trabalhar. “Serei intransigente no combate a corrupção. Mas serei o melhor exemplo. O país saberá o que tenho e todo aquele que pretender participar deverá mostrar a transparência necessária”, disse.

Aos seus militantes e simpatizantes, Umaro Sissoco Embaló assegurou que, com a declaração da sua vitória, deixou de ser candidato do MADEM ou apenas daqueles que o apoiaram, mas sim, Chefe de Estado de todos os guineenses. “Eles são 46,45%. Só quando se juntarem aos meus 55,55% é que vamos atingir a 100%. Portanto a partir de hoje, sou Presidente de todos os guineenses”, assegurou o novo Chefe de Estado com o tumbrante com que circulou o país durante a campanha eleitoral.

Apesar de se tratar do discurso da consagração, houve espaços e oportunidades para ataques aos adversários. Tais ataques ficaram a cargo de Braima Camará, coordenador da Alternância Democrática que, considerou a possibilidade de Domingos Simões Pereira impugnar o processo como “estratégias de mau perdedor”. “Mas não é só isso. Penso que falta ao Engº. Domingos Simões Pereira, o carácter. Como é possível o MADEM que não tem Governo; não tem CNE; não tem Zambrano; não tem o tesouro público e muito menos a administração Territorial, ser acusado de roubar eleições!? Isso, sinceramente, acho vergonhoso da parte do Engº. Domingos Simões Pereira”, disse Braima Camará.

Adversário político de Domingos Simões Pereira desde 2014 no Congresso de Cacheu, Braima Camará aproveitou para insinuar que, a estratégia do candidato derrotado, é única: “Ele quer governar. A posição que está a assumir é tentar negociar para poder permanecer no poder”, concluiu Braima Camará.

Conversa telefónica entre DSP e USE

Sobre a questão do reconhecimento, ou não, dos resultados por parte de Domingos Simões Pereira e o partido que o suporta, Umaro Sissoco mostrou-se tranquilo e considera que tarde ou cedo acabará por acontecer. Certo é que, numa das estações de Rádio (África FM, considerada propriedade de Umaro Sissoco Embaló) tem sido difundida uma conversa telefónica entre os dois, no qual, Domingos Simões Pereira reconhece Sissoco Embaló como vencedor.

Na referida conversa é perceptível ouvir Domingos Simões Pereira a garantir Umaro Sissoco Embaló que, “se a CNE confirmar a sua vitória”, com base nos dados que tinha à disposição, não teria qualquer dificuldade em reconhecer os resultados.

Umaro Embaló replicou que, agradece o gesto, mas quer pessoalmente falar com Simões Pereira em nome da consideração como “mais velho”, respeitando a tradição africana, pelo que estava disposto a deslocar –se a sua casa.

“Não. Eu é que devo ir a sua casa primeiro, porque tu é que ganhaste. Havendo a necessidade de vires, podes fazê-lo na segunda ocasião”, respondeu Simões Pereira em crioulo. Quase que constrangido pelas palavras de Domingos Simões Pereira, Umaro Sissoco recuou no tempo para falar dos anos em que se conheceram e como foi o percurso de cada um.

“Olha isto é a política. Cada um tem a sua ambição, mas tu sabes que te respeito bastante. A tua esposa Paula que só chamo PSP, ela até hoje me trata como rapazito. Hoje sou Presidente, mas acredito que, quando ela me encontrar mesmo nos ouvidos me murmurá como rapazito. A minha esposa gosta bastante da Paula. Uma vez viajaram e a Paula lhe ofereceu um cartão-de-visita. Ela não conhecia a Paula e quando já estava no autocarro para a casa, alguém lhe contará e ela respondeu que aquela era simpática. Portanto, eu tenho tamanha admiração por ti e quero que falemos”, insistiu Sissoco Embaló. “Não há problema, proporcionaremos esta ocasião. Bonne chance”, rematou Domingos Simões Pereira.

Confrontado com a questão, Domingos Simões Pereira confirma na verdade uma conversa telefónica entre os dois, mas com o intuito de apelar ao seu adversário para que aguardassem os resultados da Comissão Nacional de Eleições e exortarem maior contenção aos seus apoiantes.

O que é verdade é que a posição de Domingos Simões Pereira terá mudado depois de ter recebido informações em como, para além de uma suposta fraude montada nas actas, com a presumível implicação de militares, existem alguns círculos internos que jogaram contra a sua posição. Neste particular, há quem cite o nome do Presidente da ANP, Cipriano Cassamá. O que mais alimenta estas informações de complô interno, foi a ausência de Cipriano Cassamá, primeiro vice-oresidente do PAIGC, no momento em que Domingos Simões Pereira abordou os resultados.

Os números de Umaro Sissoco são de tal forma surpreendentes que alguns levantam suspeitas de irregularidades. Por exemplo, em todas as localidades onde ganhou, Sissoco Embaló recuperou a totalidade dos seus votos, como recuperou a 100% os votos de Nuno Nabian, José Mário Vaz e carlos Gomes Jr. Em todas as regiões, com Bissau incluído.

A possibilidade de uma eventual fraude eleitoral, como insinuam os militantes e dirigentes do PAIGC também foi comentada num encontro. Quem assumiu essas responsabilidades foi o Director Nacional da Campanha de Umaro Sissoco. Soares Sambú considera de graves essas insinuações e acrescentou que “a máquina de fraude eleitoral do MADEM e o candidato Sissoco Embaló”, e a sua organização. “Fomos capazes de estar mais organizados que a CNE. Estivemos até nos sectores, quando as CRE’s se limitaram apenas nas regiões. Colocamos jovens informáticos em todos os sectores da Guiné-Bissau. Foi isto que nos permitiu em tempo recorde, conhecer o resultado”, disse.

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