Guiné-Bissau: Sissoco não quer embaixadores com acesso a instalações militares

O presidente guineense, Umaro Sissoco Embaló, disse que doravante nenhum embaixador pode entrar nas instalações das Forças Armadas da Guiné-Bissau, disse o chefe de Estado à chegada ao país, após a sua participação na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque.

O chefe de Estado guineense, com esta medida, aplica à letra as disposições do artigo 41º da Convenção de Viena sobre as Relações Diplomáticas, que estabelece que os diplomatas acreditados têm o dever de “não se imiscuir nos assuntos internos” do Estado acreditador, assim como “Todos os assuntos oficiais tratados com o Estado acreditador confiados à missão pelo Estado acreditante deverão sê-lo com o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Estado acreditador ou por seu intermédio, ou com outro Ministério em que se tenha convindo”.

Umaro Sissoco Embaló sublinhou também ter advertido as autoridades norte-americanas que “com o Umaro Sissoco Embaló [na presidência da República], o embaixador dos EUA, residente em Dakar que cobre a Guiné-Bissau, não será a mesma coisa que um embaixador residente, pois a Convenção de Viena foi clara nesta matéria”. Ou seja, precisou o Presidente guineense, “é o fim dos embaixadores que vem cá passear e entrar nos quartéis. Este ‘paguay’ acabou. Doravante quando um embaixador vier à Guiné-Bissau que trate os seus assuntos no Ministério dos Negócios Estrangeiros, pois a Guiné-Bissau é como um qualquer Estado. Pobre, mas digno”.

Para o presidente da Republica “a Guiné-Bissau, como um Estado, há coisas que não vai admitir, pois não há pequeno estado”.

Questionado sobre o facto de os Estados Unidos não terem Embaixador residente em Bissau, desde o conflito militar de 7 de Junho de 1998, Umaro Sissoco Embaló respondeu que a Guiné-Bissau também não tem embaixador em Washington”. Contudo, o Chefe de Estado guineense adiantou que as autoridades americanas garantiram que este assunto está em cima da mesa, assim como a Guiné-Bissau está também a trabalhar para abrir uma representação diplomática em Washington. Governo dos Estados Unidos tem financiado desde há vários anos formações de militares guineenses, tendo instalado um laboratório da língua inglesa na Marinha Nacional. Igualmente os EUA apoiam directamente o Instituto da Defesa Nacional, o qual apoia em sessões de formações e materiais.

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