Guiné-Bissau: Sissoco qualifica alguns Juízes Conselheiros de “bandidos” e promete “solução”

O Presidente da República Umaro Sissoco Embaló qualificou de “bandidos” alguns juízes Conselheiros do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) da Guiné-Bissau. De regresso ao país esta terça-feira 2 de Junho, depois de uma deslocação privada a Paris, Umaro Sissoco disse que um país não pode ter na sua mais alta instância, como o Supremo Tribunal de Justiça, Juízes “bandidos ou bandidas”. Por isso, fazendo uma analogia com o que Koumba Yalá fez há 18 anos, Umaro Sissoco garantiu ter uma “solução”.

A sua chegada começou com comentários sobre a posição do PAIGC que continua a não o reconhecer como Chefe de Estado. Para o Chefe de Estado, o PAIGC é livre de ter a sua posição, porque quem reconhece a vitória eleitoral é a Comissão Nacional de Eleições (CNE), e lembrou que o Presidente está acima de todos os partidos. “Não sou colega de nenhum deles. Estou acima de todos os partidos. Não estou aqui para fazer política nem falar dos partidos políticos. Se quiserem, não reconheçam, mas pelo menos devem respeitar-me. Se houver falta de respeito, haverá reacção”, disse Sissoco.

Relativamente ao pedido da mediação junto dos partidos políticos que terá incumbido Cipriano Cassamá, Umaro Sissoco esclareceu que não pediu mediação mas sim deu orientações ao Presidente da Assembleia nacional Popular (ANP) para buscar uma solução, caso contrário, optará pela dissolução da ANP.

“Comigo na Presidência a Guiné-Bissau não vai ficar refém de ninguém. Este país mudou desde 29 de Dezembro. A Guiné-Bissau mudou. Este não pode ser um país de palhaços. Eu tenho destino para os perturbadores. Que cada um se arme em aquilo que é, mas a Guiné-Bissau mudou”, disse Umaro Sissoco.

Questionado se continua a ponderar na dissolução da ANP, caso persista a falta de consenso entre os partidos, Umaro Sissoco disse que é a primeira solução que tem pela frente e se for a única, vai ser usada sem dúvidas. “O que não vai existir é o bloqueio. Não. Comigo não. Neste país vai existir ordem e progresso. Não estou a falar do escudo do Brasil. Estou a falar daquilo que deve ser a Guiné-Bissau doravante. Não haverá indisciplina, os políticos devem ser responsáveis. Devem saber que a democracia é um exercício. Quem tem maioria deve ser reconhecido. Quem vencer, venceu. Mas aqui as pessoas gostam de banalizar. Quem banalizar terá consequências fortes. Aqui na Guiné-Bissau, aqueles que perturbaram e demonstraram serem mais homens, onde é que estão? Tenho o mesmo destino para aqueles que hoje estão a perturbar. O país tem muitos desafios e eu dou tolerância zero à indisciplina, mesmo se for da minha família”.

Sobre se tem alguma agenda de reconciliação como uma das prioridades e se sabe do paradeiro de Aristides Gomes, ex-Primeiro-ministro, Umaro Sissoco, rindo, disse que não há divergências e o que está a acontecer é que “certas pessoas estão a fazer cinema”.

“Este país não pode ser banalizado sistematicamente. Não pode ser. Não podemos ter a corrupção na mais alta instância da do país, como juízes do STJ. Já tenho solução para eles”, vincou Umaro Sissoco.

Quanto a Aristides Gomes, a quem Umaro Sissoco chama “cidadão Aristides”, assegurou não saber do seu paradeiro, adiantando apenas que tinha conhecimento de que estava na Representação das Nações Unidas, mas acredita que no dia em que estiver cansado, voltará para a sua casa. “Não tenho motivos para ter algo contra ele. Ele é meu cidadão, porque sou Presidente da República”, disse.

Sobre o destino que será reservado aos Juízes Conselheiros, o Chefe de Estado disse que a sua decisão está para breve. “O país não pode ter dois ou três juízes bandidos ou bandida. Isso não pode ser. Lembram o que Koumba Yalá fez! Serei pior. (…) Comigo não pode existir o banditismo”, sublinhou Umaro Sissoco Embaló, ladeado por Soares Sambú e Sandji Fati.

Face à insistência das questões sobre se os juízes Conselheiros são “bandidos”, peremptoriamente respondeu que “alguns são”, nem todos “porque existem aqueles com noção da responsabilidade”. “Supremo ou funções de magistratura não são para fazer política. Quem quer fazer a política deve ir para o PAIGC, PRS ou MADEM”.

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