Guiné-Bissau: Sociedade civil suspeita de má gestão dos fundos do Covid-19 e quer auditoria

As novas medidas de confinamento adoptadas pelo Governo da Guiné-Bissau, em seguimento à proposta do Alto Comissariado para o combate ao Covid-19 está a provocar protestos em franjas da população.

Depois de o recolher obrigatório, cerco sanitário e o encerramento dos mercados no período da tarde, bem como a paralisação durante todo o fim-de-semana, as Organizações da Sociedade Civil (OSC) entraram em cena para criticar as estratégias do Alto Comissariado para o Combate a COVID-19.

Para além de criticarem a má gestão da pandemia, suspeitam que os fundos disponibilizados não estão a ser correctamente canalizados para este efeito. A alta Comissária para a COVID já ouviu essas exigências e disse à agência Lusa estar disponível para ver as contas sindicadas.

Magda Robalo, numa energética reacção, denunciou mentiras, especulações e muita falsidade de alguns cidadãos no caso do Covid-19. Assegurou estar tranquila sobre o assunto, e sublinhou que esteve empenhada na redução das despesas.

“Sei que é preocupação da população sobre o que tem sido feito com os apoios que chegam ao Alto Comissariado. Infelizmente tem havido muita especulação, calúnia e difamação em relação à minha pessoa, em relação aos materiais e fundos doados pelos parceiros”, comentou a Alta Comissária citada pela agência de notícias portuguesa.

Magda Robalo, que foi ministra da Saúde, desafiou as organizações da sociedade civil a organizarem um fórum para que possa esclarecer claramente a aplicação dos fundos da Covid.

Através de um comunicado difundido depois da reunião da sexta-feira 27 de Agosto, as OSC puserem em causa o que designam “medidas despropositadas” anunciadas pelo Governo, nomeadamente o encerramento de mercados aos fins-de-semana e cerca sanitária em todo o território nacional. As OSC exortaram o Governo a reapreciar estas medidas cujas consequências podem implicar o agravamento do sacrifício de milhares famílias guineenses;

Nem os preocupantes números tornados públicos pelo Alto Comissariado sobre o número de contaminados e óbitos atenuaram a posição das organizações agrupadas no espaço de concertação. Numa semana, segundo o Alto Comissariado morreram 13 pessoas e foram registadas cerca de 500 novas infecções.

Reagindo a estes dados, Bubacar Turé, ex-funcionário da UNIOGBIS (Gabinete Integrado das Nações Unidas para a Consolidação da Paz na Guiné-Bissau), porta-voz das OSC, questionou o que fez o Alto Comissariado, quando os titulares dos órgãos de soberania organizaram meetings, comícios e reuniões com muitas aglomerações em plena pandemia.

“São as autoridades públicas que estiveram no surgimento da terceira vaga da Covid-19 na Guiné-Bissau pela promoção criminosa de eventos que implicam ajuntamentos públicos, sem observância de medidas de prevenção, nomeadamente reuniões partidárias, comícios, concertos e visitas oficiais de chefes de Estado estrangeiros”, notaram as organizações da sociedade civil.

Na mesma ocasião foi apontado ao Governo aceitar a proposta de recolher obrigatório do Alto Comissariado para o combate ao Covid-19 (AC), sem passar pelo Parlamento. “Mas não são estes apenas os motivos. Ouvimos diariamente de fundos públicos que são disponibilizados para o AC”, mas “neste momento, não há nada para ajudar a população que está a sofrer”, sublinhou.

Para as OSC a gestão dos fundos pauta pela falta de transparência, por esse motivo as Organizações da Sociedade Cicvil, tal como consta na nota lida por Bubacar Turé, exige uma auditoria do Tribunal de Contas e demais entidades competentes, sobre gestão dos fundos e materiais doados pelos parceiros internacionais, no âmbito dos esforços de combate ao Covid-19.

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