Guiné-Bissau: Suspeita de “crime organizado” na maternidade do Hospital Simão Mendes

A direcção do Hospital Nacional Simão Mendes (HNSM) suspendeu uma parteira chefe e transferiu a estagiária da maternidade, após serem acusadas de terem praticado “crime organizado” dentro da instituição. A parteira foi suspensa de exercer a sua actividade por um período de dois meses, e a estagiária transferida do serviço da maternidade deste hospital.

Segundo a informação apurada, a 15 de Março de 2019 um familiar de um dos pacientes que foi atendido no HNSM queixou-se da parteira chefe que estava de serviço e da estagiária que recusaram dar atendimento médico a uma jovem de 19 anos, alegando que ela tinha que pagar pelo serviço de parto.

Como a paciente não tinha dinheiro no momento a estagiária levou-a ao Banco África Ocidental (BAO), para recolher o dinheiro depositado com o cartão multibanco, a fim de poder ser atendida apesar de não ter de pagar pela assistência, e estar num estado delicado de saúde. No entanto, o cartão multibanco ficou bloqueado no local até que um funcionário do banco resolveu o problema. Apenas depois de dar o dinheiro a estagiária é que a paciente regressou para a maternidade para receber o seu tratamento.

A parteira nega o seu envolvimento no crime, justificando que em nenhum momento falou com a paciente, apenas a estagiária que conversava com a menina e também recebeu o dinheiro, que acabou por devolver. No entanto a direcção do HNSM decidiu suspender porque estava como chefe de turno no dia que aconteceu o crime, e sendo chefe não poderia afirmar que não sabia do ocorrido. A parteira disse ainda que há 19 anos que está a trabalhar nesta função, e que o seu nome foi mencionado nesse tipo de assuntos.

Segundo a estagiária, a paciente chegou ao HNSM e foi atendida como todos os pacientes, apesar de a paciente não ter dinheiro para comprar material de parto e luvas. Depois do processo do parto a estagiária disse que a paciente queria alimentar-se, mas como a jovem não queria contar aos familiares que estava no hospital, sugeriu que a estagiária a acompanhasse ao banco. A parteira chefe terá dado instruções à estagiária para acompanhar a paciente ao banco a fim de levantar o dinheiro que seria para sua alimentação.

A estagiária reconheceu que habitualmente não acompanha os partos, sendo apenas assistente que cumpre as ordens. Reconheceu também ter recebido 10 mil francos CFA que “a paciente é que me deu para entregar a parteira chefe” , mas que terá devolvido à paciente, explicou.

Laurena Carvalho Hamelberg

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.




Artigos relacionados

Banco de Portugal fala de poucos oligarcas russos visados pelas sanções

Banco de Portugal fala de poucos oligarcas russos visados pelas sanções

O Banco de Portugal (BdP) instruiu os bancos para congelarem as contas de oligarcas russos, no âmbito das sanções aplicadas…
Moçambique: Deslocados autorizados a regressar a Mocímboa da Praia

Moçambique: Deslocados autorizados a regressar a Mocímboa da Praia

A Secretaria Distrital de Mocímboa da Praia, vila moçambicana da província de Cabo Delgado, informou as autoridades do distrito de Palma…
Guiné-Bissau satisfeita com a visita do primeiro-ministro português António Costa

Guiné-Bissau satisfeita com a visita do primeiro-ministro português António Costa

“A visita do primeiro-ministro [português] deixou os guineenses contentes. Portugal é um país irmão e não um amigo da Guiné-Bissau”,…
Ucrânia: Lviv não consegue acolher mais refugiados

Ucrânia: Lviv não consegue acolher mais refugiados

O presidente da Câmara de Lviv, Andriy Sadoviy, informou à “Reuters” que a cidade esgotou a sua capacidade para acolher…
Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin