Guiné-Bissau: Suspeita de primeira morte devido ao Covid-19 pode agravar medidas restritivas

A Presidência da República da Guiné-Bissau emitiu este domingo, 12 de Abril, a renovar o Estado de Emergência por um período de 14 dias, devendo assim terminar a 26 de Abril. O Decreto deverá ser novamente regulamentado pelo Governo, mas já expressa a necessidade do Governo ter em consideração a condição social da população guineense. Com essa advertência pretende aligeirar as medidas, sobretudo no que concerne à circulação de pessoas, mas também no alargamento do horário de abertura dos mercados. Todavia, os últimos indicadores e a suspeita de uma morte devido ao Covid-19, podem força o Governo a reforçar as medidas de prevenção com mais restrições.

No intervalo da reunião do Conselho de Ministros para a Regulamentação do Decreto que decorreu esta segunda-feira, 13 de Abril, Serifo Djaquité, ministro da Presidência do Conselho de Ministros prometeu apenas novidades.

Embora careça de uma confirmação oficial pela Comissão Operacional de Emergência Sanitária (COES), estrutura responsável pela gestão da pandemia COVID-19, circularam ao longo de todo o dia informações que apontavam a existência de uma morte nas imediações de Bissau, na Clínica Madrugada gerida por missionários. Um dos indícios, avançados por fontes, que confirmam a informação dá conta de que a Clínica foi evacuada e encerrada por razões sanitárias.

A COES garante que, dentro de sete dias, os exames poderão determinar as causas da morte de uma paciente que deu entrada na Clínica Madrugada. A única informação oficial é que os três funcionários da clínica estavam no Hospital no momento da entrada da paciente, estando neste momento em isolamento.

Entretanto a COES já confirmou a existência de 40 casos de Coronavírus confirmados, dos quais três curados. Os restante pacientes infectados pelo Covid-19 são mantidos em casa e têm sido visitados pelos médicos que acreditam que poderão dentro de sete dias terem alta médica, tendo em conta a evolução positiva dos seus estados.

Quando este sábado Tumane Baldé, porta-voz da COES, avançou com o balanço do dia, revelou também as estratégias que pretendem aplicar para reforçar a prevenção. Segundo Tumane Baldé, depois de terem sido registados os primeiros oito casos nas regiões, principalmente Cacheu, a COES vai propor ao Governo a interdição das saídas de Bissau e da Região de Cacheu. “Vamos propor que isto conste no regulamento. Ninguém pode sair de Bissau e nem da região de Cacheu”, assegurou Tomane baldé.

O porta-voz da COES sustenta que as restrições de saídas e entradas na região de Cacheu se devem ao facto de no espaço de três dias terem sido identificados e confirmados três casos de Covid-19.

Uma medida que já é alvo de múltiplas críticas. Alguns organismos e órgãos de comunicação social, observam que as estratégias do Governo estão centradas na prevenção tentando minimizar as repercussões nos abastecimentos da população, medidas que a população tem acatado. No entanto, uma das medidas mais criticada é relativa ao horário autorizado de circulação das pessoas, que inicia às 07 de manhã e dura apenas quatro horas. A partir das 11 horas, os cidadãos estão obrigados a permanecer em casa e o Estado aconselha a sair apenas quem tiver motivos fortes. A circulação automóvel é autorizada através de um livre-trânsito, mas a sua gestão tem sido caótica. A população observa que a maior parte das viaturas privadas são portadoras do referido livre-trânsito e mesmo o Estado de Emergências ter sido decretado, verificam-se os habituais engarrafamentos e acidentes de trânsito.

Outra situação fortemente criticada é a ausência de medidas compensatórias na primeira fase do Estado de Emergência, e vários populares contactados pela e-Global afirmam que correm mais o risco de morrer de “corona-fome” que de Coronavírus.

Tumane Baldé, prefere falar das medidas que podem facilitar os técnicos de saúde, tendo abordado a questão do mercado de Bandim, que defende que tem de ser descongestionado. A este respeito, o Governo já improvisou para o dia de Abril, o funcionamento de um mercado, no chamado espaço verde, interditando a venda dos produtos de primeira necessidade no popular Mercado de Caracol e na subida de Cabana.

As críticas parecem ter algum efeito, mas não tão significativo. Na sua página oficial e fazendo referencia a certas medidas para a regulamentação do Estado de Emergência Renovado, o Primeiro-ministro, Nuno Nabiam, anunciou que cerca de 3000 famílias vão beneficiar da Cesta Básica em todo o país. Nuno Nabiam anunciou também que o Governo vai aumentar as reservas de medicamentos nos armazéns do Ministério da Saúde assim como disponibilizar “vedetas rápidas e alguns botes de médio porte”, para reforçar o patrulhamento marítimo e evacuação em emergência médica.

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