Entrevista | Guiné-Bissau

Guiné-Bissau: Umaro Sissoko Embaló diz “eu não sou o Mário Vaz”

O antigo primeiro-ministro guineense e candidato às eleições presidenciais com o apoio do MADEM-G15, Umaro Sissoko Embaló disse à e-Global que houveram várias tentativas para o “intimidar e destabilizar” na sua campanha para as eleições presidenciais de 24 de Novembro que o candidato considera que “tecnicamente não há condições” para a sua realização, mas não se opõe à data.

Relembrando os incidentes que causaram a morte de um manifestante da oposição, Umaro Sissoko criticou vigorosamente “repressão na marcha” em que um “cidadão indefeso foi violentamente espancado”. “Não podemos trazer as práticas da Guiné Conacri do Alpha Condé para a Guiné-Bissau”, sublinhou Umaro Sissoko.

Ainda sobre a gravação que imputava a Umaro Sissoko a incitação a um Golpe de Estado e acções de destabilização no país, o candidato à presidência nega ser a voz no registo áudio controverso: “Esse primeiro-ministro do Simões Pereira queria que eu apresentasse provas de que não sou eu na gravação, mas é ele que tem de apresentar as provas que sou eu. É ele que me acusa. Eu vou processar esse primeiro-ministro para ele ter de provar em tribunal a autenticidade dessas gravações”, sublinhou.

O candidato apoiado pelo principal partido da oposição, MADEM-G15, está convicto na sua vitória nas presidenciais. “Eu sei que o PAIGC nunca mais ganhará coisa alguma na Guiné-Bissau, nem o PAIGC nem o candidato deles. O povo já cansou do PAIGC”, disse o candidato.

Umaro Sissoko aproveitou também para tecer violentas críticas ao ministro das Relações Exteriores de Angola, Manuel Domingos Augusto, que afirma que é “manipulado por Domingos Simões Pereira”. “É o pior ministro das relações exteriores que Angola teve em toda a sua história”, sublinhou Umaro Sissoko que acusa o chefe da diplomacia angolana de ter feito uma “campanha de difamação” contra si durante a Cimeira Rússia África em Sochi.

“Esse ministro angolano tem de compreender que eu não sou o Mário Vaz, e comigo ele não pode brincar. Se ele quer brincar, vai ter consequências graves. Ele que se concentre na diplomacia angolana, que a faz mal, e isso não é a política do presidente João Lourenço”, prosseguiu Umaro Sissoko.

“Eu não sou daqueles que vão pedir dinheiro a Angola. Nunca pedi dinheiro a Angola, e nunca irei pedir. Essa cultura de os angolanos pensarem que somos um país pequeno, tem de acabar. Nós participamos na luta pela independência de Angola. Eles têm de nos respeitar. Temos de ter uma relação igual para igual. Mas esse respeito somos nós que teremos de cultivar. Homens como o Domingos Simões Pereira e outros políticos do PAIGC incutiram na cabeça dos angolanos que nós somos pessoas falhadas. Não! Não podemos aceitar isso. Os angolanos têm de nos tratar com dignidade. Infelizmente o PAIGC banalizou a Guiné-Bissau face a Estado angolano”, insistiu Umaro Sissoko.

Sobre as relações do futuro Presidente com o Governo e as instituições, Umaro Sissoko garante que: “Como Presidente da República estarei acima de tudo isso. Serei o reconciliador e o mediador. Defendo a ordem e a disciplina. Não vou banalizar a função do Chefe de Estado. Vou resgatar a imagem de um presidente que têm de respeitar. Por isso o meu slogan é ‘ordem e disciplina’”, explicou o antigo primeiro-ministro e candidato à presidência Umaro Sissoko Embaló.

© e-Global Notícias em Português
1 Comentário

1 Comentário

  1. Juliano Junior

    12/11/2019 at 0:27

    Isso mesmo General, os angolanos pensam que somos tolos , não não, não somos tolos, dirigentes de PAIGC que são burros, entregar o país no mãos dos estrangeiros, é por isso que eles nos vêm como povo falhado….os falhados são parvos de partido criminoso PAIGC. Começando do seu presidente até último membro desta organização perturbadora.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Topo