Crise | Guiné-Bissau

Guineenses discutem reconciliação em simpósio internacional

Decorre em Bissau a partir desta quinta-feira, e durante quatro dias, o Simpósio Internacional sobre a reconciliação. O evento juntou mais de duzentas pessoas, representando diferentes atores da sociedade guineense.

Entre outros objetivos, o Simpósio pretende aumentar a consciência nacional sobre a importância de lidar com o passado para o país sair do ciclo de instabilidade e conflito político e social, assim como aproximar e reforçar as bases de confiança e colaboração entre os diferentes atores da vida política, social e económica da Guiné-Bissau.

Durante quatro dias, serão abordados temas como: justiça como pilar do desenvolvimento do sistema democrático. Passado, Presente e Futuro; Desafios de transição nacional; Justiça de transição; O papel da sociedade civil nos processos de instabilidade politica e reconciliação.

Por se tratar de um evento, visando, por outro lado, lançar fundamentos para a Conferência Nacional sobre a Reconciliação, cuja data não foi ainda agendada, de notar o interesse dos guineenses em acompanhar os trabalhos em curso.

Vitorino Indeque, vice-presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos, uma das organizações hostil a amnistia sem julgamento, como forma de reconciliação, considera pertinente o Simpósio, desde que sirva os interesses para tirar o país da situação em que se encontra. Na opinião do ativista, pensar o futuro da Guiné-Bissau é preciso garantir a paz e a justiça social. “O importante em tudo isso é que as ideias que sustentam este Simpósio sejam materializadas. E que os políticos deixem de querelas para alimentar os seus interesses em si enriquecerem, caso contrário, não vamos a lado nenhum”, sublinhou Indeque.

Para Januário Jaló, guineense atento à evolução política e social da Guiné-Bissau, e um dos acompanhantes do Simpósio, o importante é para que haja um diálogo aberto e franco, como forma de alcançar o almejado desenvolvimento e garantir o futuro do país. “Acho que os participantes vão poder discutir questões de fundo, no sentido de podermos aceitar a realidade e de que há um problema, há uma situação crónica que está a esmagar a nossa sociedade de forma brutal. Aliás, sem um diálogo franco, não podemos encontrar caminho ideal rumo ao desenvolvimento”, refere.

Entre os oradores deste simpósio internacional, figuram Ramos Horta, Prémio Nobel da Paz e que foi último representante da ONU na Guiné-Bissau, e Manuel Serifo Nhamadjo, antigo presidente de transição.

Lassana Cassamá

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