Mais de 80 por cento dos guineenses dizem que a Guiné-Bissau caminha na direcção errada

Oitenta e dois por cento dos guineenses dizem que o país está a caminhar na direcção errada, contra os 15 % que confiam que a Guiné-Bissau está andar para uma direcção certa.

Estes dados constam no documento definitivo, publicado a 5 de Outubro na Paraguai pela Organização Não Governamental (ONG), Centro para a Democracia, Criatividade e Inclusão Social (DEMOS), relativamente à primeira pesquisa de opinião pública feita no país, intitulada “Vozes do Povo”, que a e-Global consultou. Os dados preliminares desta pesquisa já tinham sido divulgados no dia 18 de Julho de 2018 em Bissau.

O documento de 143 páginas apresenta, entre outras, uma visão geral do país, da crítica dos guineenses quanto a governação, onde se destacam as precárias condições de vida, sensação de injustiça, baixa confiança social e nas instituições, pouca presença do Estado, contexto de corrupção, a percepção de abuso de poder, bem como a insatisfação com a actuação do Governo.

41% das famílias ficam sempre, ou muitas vezes, sem cuidados médicos ou sem acesso a medicamentos.

O documento refere também as carências básicas nos últimos anos nas áreas de saúde, tendo o estudo revelado que 41% das famílias ficam sempre, ou muitas vezes, sem cuidados médicos ou sem acesso a medicamentos.

No que diz respeito a água, o DEMOS refere que a metade da população da Guiné-Bissau teve sérias limitações de acesso a água potável, alimentação, e 1 de cada 4 pessoas teve dificuldades financeiras crónicas, tendo um terço das pessoas ficado sem rendimento e remessas. Dois em cada três guineenses não recebem dinheiro do exterior. Apenas 18% receber algo em cada 3 meses ou mais.

No sector do ensino, o Centro para a Democracia, Criatividade e Inclusão Social revela que 38% dos entrevistados não completaram a escola primária ou apenas tiveram alguma instrução de ensino de aprendizagem.

Apesar destas carências, o DEMOS concluiu que a Guiné-Bissau tem segurança relativa, visto que duas em cada três pessoas nunca se sentiram inseguros no seu bairro ou tabanca, contudo, sublinha ainda organização, que 1 em cada 3 guineenses foi assaltado em sua casa uma vez ou mais.

No sector da comunicação, 87% da população adulta possui um telemóvel que utiliza quase todos os dias e mais de 1 em cada 4 distritos visitados pelo DEMOS não tinham acesso a meios de transportes pagos.

Quanto a distribuição de bens, a sociedade guineense pensa que 81% da riqueza do país é distribuída de forma injusta, e 88% das pessoas consideram que a Guiné-Bissau está a ser governada por alguns grupos poderosos em seu benefício próprio.

O DEMOS avança também sobre o nível de desconfiança em que apenas 12% da população acredita que se pode confiar na maioria das pessoas e menos de 84% diz que é preciso ser muito cuidadoso. No mercado, só 1 em cada 4 guineenses confia que ao comprar um quilo de arroz receberá a quantidade certa.

A compreensão limitada da palavra “democracia” não impossibilita que uma maioria expressiva da população se identifique com valores associados à mesma.

O documento termina com sete conclusões, entre as quais vinca que há um mal-estar geral na população quanto ao rumo do país e da economia, o que, no entanto, não os impedem de ter esperança num futuro melhor. A compreensão limitada da palavra “democracia” não impossibilita que uma maioria expressiva da população se identifique com valores associados à mesma, há a percepção da população de viver num país com importantes liberdades políticas, ao mesmo tempo que se mostram fortemente descontentes com a condução do processo democrático. A visão crítica da população quanto governação do país apoia-se em vários elementos detectados na pesquisa, entre eles as condições de vida precária de grande parte da população.

A percepção de um guineense de viver num país com importantes liberdades políticas ao mesmo tempo que se mostra fortemente descontente com a condução do processo democrático. A visão crítica da população quanto à governação do país apoia-se em vários elementos detectados na pesquisa, entre eles, as condições de vida precária da grande parte da população.

Entre as diversas qualidades da sociedade guineense dão conta da sua força e resiliência, tais como, a situação igualitária que gostariam de ver reflectido em várias dimensões da vida pública e a rejeição das grandes desigualdades e privilégios de classe, constam ainda e entre outras nas 7 conclusões.

Por fim o DEMOS afirma que apesar do mal-estar político, uma parte expressiva da população têm claras preferências partidárias e a comunidade internacional é percebida, de modo geral, como uma força influente para o bem do país.

Sumba Nansil

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