Guiné-Bissau | Segurança

Oito polícias guineenses acusados de torturarem jovem até à morte

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Oito agentes da Polícia de Ordem Pública, da 5ª Esquadra em Bissau, foram detidos após serem acusados de terem torturado, até a morte, um jovem de 24 anos, acusado de o roubo de 1.500 dólares da sua irmã mais velha, que aliás, intentou a ação junto das autoridades na 5ª esquadra da capital guineense.

Sendo um caso reincidente, por parte dos agentes da polícia, a Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH), não tardou em reagir, condenando o ato e exigiu imediatamente explicações às entidades competentes, que reagiram com a detenção de oito agentes implicados no ato de tortura contra o jovem suspeito de roubo.

Para a Liga, a prisão dos polícias implicados na ação, é um sinal forte de repreensão contra atos de abuso e tortura por parte da autoridade polícia guineense. “É um sinal forte que está a ser enviada a sociedade, no que diz respeito ao combate a impunidade, pois ninguém está acima da lei. Por isso, nós vemos com bons olhos estas detenções e esperamos que o inquérito seja conclusivo e que a justiça faça o seu trabalho”, referiu o Presidente da LGDH, Augusto Mário da Silva.

Nos últimos três anos foram registados vários casos de tortura, que resultaram na morte dos detidos, por agentes da polícia. Comportamentos que o Presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos associou á falta de preparação dos agentes da polícia.

Segundo Augusto Mário da Silva, “estas ações demonstram claramente que os nossos agentes não estão preparados para desempenhar as funções que lhes são incumbidas. A maioria destes agentes não têm preparação para envergarem o uniforme e acabam por revelar esta impreparação nas suas atuações diárias em relação aos cidadãos”.

Um dos mais recentes casos, aconteceu nas celas da prisão de segunda esquadra em Bissau, junto a sede do Ministério do Interior, onde alegadamente um jovem teria cometido suicídio, em circunstâncias suspeitas.

Sobre este caso, o Presidente da Liga Guineenses dos Direitos Humanos não hesitou em afirmar que é “coincidência de mais, num curto espaço de tempo, termos dois casos de mortes nas esquadras das nossas polícias”, salientando que “é preciso que as autoridades administrativas assumam as suas responsabilidades e que conduzam um inquérito sério e responsável, capaz de apurar a veracidades dos factos e a responsabilidade individual e coletiva, de todos os que poderão estar implicados nesta prática”.

Lassana Cassamá 

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