Crise | Guiné-Bissau

PAIGC acusa José Mário Vaz de querer ser o “dono único e absoluto do poder” na Guiné-Bissau

O Partido Africana da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) chamou esta quinta-feira os seus militantes e dirigentes para dar resposta ao discurso do Presidente da República na Assembleia Nacional Popular, onde denunciou que um Conselheiro do José Mário Vaz ameaçou os militantes e dirigentes do partido com recurso as armas para a resolução da crise.

Para o PAIGC, “o Chefe de Estado não foi capaz, nem se preocupou em tranquilizar a população e muito menos assegurar a defesa dos princípios democráticos”. Para o presidente do partido, Domingos Simões Pereira, o PAIGC, considera que o pedido reiterado por José Mário Vaz sobre a constituição de uma nova maioria parlamentar que permita a constituição de um novo Governo tem um propósito. “O presidente está desde há muito decidido a se fazer dotar de um novo quadro constitucional que lhe permita ser o dono único e absoluto do poder na Guiné-Bissau, a exemplo da sua referência vizinha”.

De acordo com o PAIGC, o discurso do Presidente José Mário Vaz foi de um líder da oposição que, “contava aceder ao poder, neste caso ao controlo da governação, que não o tendo, pelas urnas, agora vê reforçada essa possibilidade pela via do golpe parlamentar”.

Foi nesta perspectiva que, no entender dos libertadores, as citações feitas pelo Chefe de Estado quanto as ondas de paralisações nos sectores de saúde educação não lhe são favoráveis. “As sucessivas menções às greves e convulsões sociais não são favoráveis ao Presidente da República, pois essas estão associadas à crise por ele despoletado e que criou dificuldades de cobertura financeira pelo Governo. Por outro lado, todos conhecem a proximidade e mesmo o envolvimento do Senhor Presidente nas ondas de contestação”. Domingos Simões Pereira deixou ainda alguns conselhos ao Chefe de Estado: “a leitura política tem de ser despida de sentimentos pessoais ou de grupo, mas objectivas e gerais, ou seja, das eleições resultaram uma configuração parlamentar. É obrigação de todos respeitar e proteger esse quadro”.

Na mesma ocasião, num encontro convocado para dar resposta ao conteúdo do discurso de José Mário Vaz, Domingos Simões Pereira denunciou que “há dias, um conselheiro do Chefe de Estado ameaçou os militantes do partido e dirigentes, em plena reunião do Comité Central, com menções de recurso às armas e o controlo da justiça, entre outros”.

Lassana Cassamá

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