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Entrevista CPLP: “os jovens são uma peça fundamental para fortalecer a integração da Guiné Equatorial na CPLP”

Embaixador da Guiné Equatorial em Portugal - Tito Mba Ada

“A Guiné Equatorial é um país que tem Portugal como prioridade”, começa por afirmar Tito Mba Ada, embaixador da Guiné Equatorial em Lisboa e representante da missão permanente da Guiné Equatorial junto da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), em entrevista à e-Global. Sobre a relação entre Portugal e a Guiné Equatorial, Tito Mba Ada faz uma retrospetiva e lembra Portugal como “o primeiro país europeu, cujo cidadão Fernando Pó, chegou ao território atual da Guiné Equatorial e celebrou o primeiro contacto com o mundo lusófono”.

“A Guiné Equatorial é um país que tem Portugal como prioridade”

A relação de cooperação com Portugal “está a ser fortalecida ao nível das instituições” e o embaixador garante que “são boas relações”. Tito Mba Ada afirma que existe já “um intercâmbio de criação de entidades diplomáticas. O mundo económico já está a desenvolver os seus negócios, as relações estão fundadas, estão fortalecidas, agora estamos a trabalhar no âmbito da cooperação técnica, para rentabilizar essa amizade de muito tempo”, acrescenta. Nesse sentido, Tito Mba Ada acredita que a facilidade de mobilidade dos cidadãos portugueses e equato-guineenses e dos seus bens, entre os dois países, constitui “um dos pilares nas relações entre qualquer país” e deve existir “reciprocidade”, reforça. Por isso, acredita que a presença da Embaixada da Guiné Equatorial em Lisboa é uma mais-valia, pois “oferece esse serviço para facilitar a mobilidade”, sublinha.

Relativamente aos cidadãos na Guiné Equatorial que pretendem vir para Portugal, o diplomata revela algumas dificuldades e dá conta de “situações que geram gastos desnecessários”, e dá conta do caso de dois jovens que se encontram em São Tomé a aguardar a obtenção de vistos para viajar para Portugal. Assim, refere que Guiné Equatorial “gostaria que o cidadãos da Guiné Equatorial também pudessem ter os vistos na missão diplomática portuguesa em Malabo, coisa que ainda não é possível por questões técnicas”.

“os jovens são uma peça fundamental para fortalecer a integração da Guiné Equatorial na CPLP”

Tito Mba Ada confessa a vontade de estender essa mobilidade à comunidade académica, “para que os jovens de Portugal, os professores, possam viajar para a Guiné Equatorial para fazer viagens de estudos, para conhecer as maravilhas de coisas que temos lá e que interessam à comunidade académica”, acrescenta. O embaixador acredita que “os jovens são uma peça fundamental da Guiné Equatorial. Não somente com Portugal, mas também para fortalecer a integração da Guiné Equatorial na comunidade [Comunidade de Países de Língua Portuguesa]. Os jovens, os estudantes de hoje, vão ser os dirigentes de amanhã, vão ser o futuro”, destaca o diplomata.

A Guiné Equatorial integrou oficialmente a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) em 2014 e tem Embaixada em Portugal desde 2013. O representante da missão permanente junto da CPLP começa por explicar que “a Guiné Equatorial desejava fazer parte da lusofonia e a sua integração foi voluntária”, por isso ressalva que “essa vontade permite que, hoje, mesmo não havendo domínio da língua portuguesa, se aprenda a cada dia mais uma palavra”. Para o embaixador em Portugal, a língua portuguesa no seu país “não deve ser uma imposição, é uma aceitação”.

“Ainda ninguém demonstrou aprender uma língua em dois dias. Isso é impossível”, sublinha Tito Mba Ada. E refere que “o governo da Guiné Equatorial está a dar passos e sinais muito importantes, no âmbito das suas responsabilidades” e acredita que o país “tem condições favoráveis”para a aprendizagem da língua portuguesa. Para Tito Mba Ada, as vozes internacionais que referem que não se fala português na Guiné Equatorial “estão equivocadas” e é necessário “deixar o país “ter o seu ritmo apropriado, sem pressas”.

“a questão da língua não é matemática e o mais importante é que está a ser bem aceite. Essa é a maior realização”

Tito Mba Ada revela-se “satisfeito por observar que o ensino da língua está a ir informalmente em várias estruturas, por exemplo no turismo”. E explica que a introdução da língua portuguesa está a ser feita, tanto através da integração nos meios de comunicação nacionais, como na introdução de “cursos acelerados de três meses” para formar diplomatas e colaboradores dos Ministérios, que “têm necessidades de comunicação urgente com os seus homólogos da Comunidade”, esclarece o embaixador.

“Queremos agora uma ação mais planificada a nível da formação de professores. Queremos trabalhar com os deputados, os polícias, os militares…Uma ação orientada para o ensino e orientada para as instituições de ensino”, explica Tito Mda Ada. Por isso, o embaixador confessa que a Guiné Equatorial “precisa de bolsas de estudo, para que os nossos jovens possam vir cá aprender português, e melhor português”.  Por exemplo, acrescenta, “queremos professores voluntários que possam ir de férias e dedicar um mês ao ensino”. Por isso, revela com entusiasmo que “agora mesmo, a Guiné Equatorial disponibilizou uma habitação para poder acolher alguns professores que queiram vir colaborar connosco. Para que possam estar a vontade numa casa, vivendo lá e colaborando nos cursos para funcionários, deputados, etc.”. Por fim, refere que a questão da língua “não é matemática” e “o mais importante é que a língua está a ser bem aceite. Essa é a maior realização”, reforça.

Embaixada da Guiné Equatorial em Lisboa

Embaixada da Guiné Equatorial em Lisboa

“Não se pode obrigar as pessoas a falar a língua. O importante é que a língua portuguesa é uma língua aceite. As pessoas interessam-se”

Tito Mba Ada declara que também “que o governo da Guiné Equatorial tem “uma determinação de ampliar essa cobertura da língua portuguesa com o seu ritmo, não o ritmo que outros querem”, volta a destacar. E lembra que “a aprendizagem de uma nova língua exige preparar-se muito bem, para se poder adaptar a melhor pedagogia”. Voltou a falar dos jovens equato-guineenses, destacando os jovens jornalistas. “Queremos formar jornalistas, que já estão formados, mas com alguns modos de aperfeiçoamento em português. Queremos que alguns possam vir fazer estágios num meio de comunicação em Portugal”.

Em Portugal, o embaixador revela que “já pedimos apoio oficial à Assembleia Nacional, à CPLP,  o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal, pedimos ao Instituto Camões, E estamos à espera que algum reaja positivamente para colaborar na causa do ensino da língua portuguesa”.

Sobre a presença da língua portuguesa na vertente política, o embaixador lembra que “todos os dirigentes no âmbito oficial da CPLP fazem os seus discursos em português, em todas as reuniões” e, destaca que o Presidente da República [Teodoro Obiang Nguema Mbasogo] “tem um professor particular que lhe dá todos os dias aulas de português e isso é a máxima demonstração de vontade, mesmo sendo uma pessoa mais velha”, sublinha o diplomata.

Para o embaixador da Guiné Equatorial em Portugal, “o importante é que estamos, o importante é que somos, e agora avançamos juntos”, finaliza.

SC

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