Moçambique: Bispo de Pemba preocupado com a segurança dos deslocados de Cabo Delgado

O bispo da diocese de Pemba, António Juliasse, disse semana passada que os recentes ataques armados nos distritos de Meluco e Nangade, província de Cabo Delgado, norte de Moçambique, provocaram um novo fluxo de deslocados na região, faço que deixa os deslocados numa incerteza se podem aderir ao programa de regresso às suas zonas de origem de onde fugiram dos terroristas.

“Temos ainda novos deslocados, devido aos ataques esporádicos que aconteceram em Nangade e Meluco” a somar às famílias que já tinham sido obrigadas a fugir da violência armada em Cabo Delgado, afirmou Bispo Juliasse

O líder religioso declarou que a Igreja Católica tem recebido muitos pedidos de apoio humanitário para o novo grupo de famílias obrigadas a fugir dos ataques mais recentes dos grupos armados que atuam na província de Cabo Delgado.

“A igreja tem sido muito solicitada para prestar ajuda” acrescentou.

Bispo António Juliasse alerta o risco de a crise humanitária em Cabo Delgado ser esquecida perante os progressos registados no combate aos grupos armados que aterrorizam a província desde Outubro de 2017.

“Há certas zonas em que houve retorno dos deslocados”, mas as pessoas ainda precisam de ajuda, porque perderam tudo e ficaram meses sem cultivar a terra e sem fazer qualquer outro trabalho devido aos ataques armados.

“A necessidade de ajuda para Cabo Delgado, para deslocados, ainda é muito grande, e vai ainda levar muito tempo até que a situação de segurança se normalize, até que se acredite que o povo voltou à sua situação normal”.

Apesar dos avanços na frente militar, o retorno à segurança em Cabo Delgado continua a exigir uma mobilização geral, principalmente do Governo e da sociedade em geral.

“Há a necessidade de todos nós, como país, encontrarmos segurança para Cabo Delgado. É preciso que encontremos discursos e narrativas de segurança para o país também”, realçou.

A sociedade civil, não deve ficar “na bancada a assistir”, como se o Governo fosse uma “equipa” que deve gerir sozinha a crise em Cabo Delgado.

“O Governo, sim, faz a sua parte, deve dar orientações claras, mobilizar recursos”, notou, defendendo que a sociedade deve assumir uma função de fiscalização visando a responsabilização do executivo.

O bispo de Pemba observou que os religiosos da Igreja Católica foram forçados a abandonar os distritos afetados pela violência em Cabo Delgado, mas estão prontos a voltar, logo que as condições de segurança forem repostas.

“A igreja em termos de infraestruturas ainda está lá, o que nós não temos são os missionários, os padres, as irmãs. Nesses lugares afetados pela violência não estão, não poderiam permanecer, por questões de segurança, se a situação mostrar que a segurança está reposta, aí regressarão a esses pontos”, ressalvou.

Aurelio Sambo

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