Crise | Moçambique

Apesar da “tragédia” do assassinato de Jeremias Pondeca, Dhlakama quer continuar com as negociações

O líder da Renamo, Afonso Dhlakama, classificou, em entrevista telefónica concedida à VOA ontem, quarta-feira, como uma  “tragédia” o assassinato, no último sábado, de Jeremias Pondeca, membro da comissão mista que negoceia a paz com o Governo e reiterou que, da parte do seu partido, o diálogo vai continuar para devolver a paz aos moçambicanos.

Na entrevista, Dhlakama descreveu Pondeca como “homem forte” e “homem grande” do partido e lembrou que Jeremias Pondeca era membro da Renamo desde a clandestinidade, deputado da Assembleia da República, membro do Conselho do Estado e exerceu as funções de delegado da cidade de Maputo e do departamento do poder local do partido.

Nos últimos tempos, liderava a delegação da Renamo na comissão mista que negoceia a paz com o Governo.

O líder da oposição lamentou os frequentes “assassinatos a sangue frio” dos membros da Renamo em quase todo o país e a impunidade dos executores”, que considerou serem responsabilidade do partido no poder e do Governo.

“Vamos continuar em pé, vamos continuar a lutar para a democracia, para que haja de facto alternância governativa”, reiterou Afonso Dhlakama, sustentando que “queremos trabalhar no sentido de fazer que o regime aceite as reformas e haja uma democracia e um Estado de direito ”, acrescentando ainda que não vão abandonar as negociações, não sendo a atitude ou o comportamento da Renamo “abandonar a luta”.

Dhlakama reconhece que as atuais execuções dos membros da Renamo “são claramente para obrigar a Renamo a recuar na sua luta pela democracia”, mas isso “seria um comportamento de cobardia” que não se coaduna com a história da Renamo.

Afonso Dhlakama reafirmou que o “único caminho é continuar a lutar até chegarmos ao objetivo de devolvermos a paz e a democracia em Moçambique, onde as instituições da justiça possam funcionar para responsabilizarem os que tem praticado crimes”, e aguarda o retorno das negociações na próxima segunda-feira.

Devido a rumores de que estaria a passar por dificuldades de alimentação, Afonso Dhlakama garantiu que tem a sua situação alimentar controlada nas encostas da Serra da Gorongosa, na provincia de Sofala, centro de Moçambique.

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