Crise | Moçambique

Delegações do governo e Renamo reúnem-se na quarta-feira

O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, convocou para quarta-feira a primeira reunião da comissão integrada por Governo e Renamo, principal partido de oposição, com vista ao reatamento do diálogo de paz em Moçambique.

Segundo um comunicado da Presidência moçambicana enviado à agência Lusa, a indicação da data e local do encontro, no Secretariado do Conselho Nacional de Defesa e Segurança, em Maputo, já seguiu por ofício para o gabinete do líder da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), Afonso Dhlakama.

A primeira reunião da equipa mista, diz o comunicado, visa “a preparação dos termos de referência para a retomada do diálogo” entre as duas partes, que está bloqueado há largos meses.

O encontro acontece depois da visita a Moçambique do Presidente da República português, em que Marcelo Rebelo de Sousa se encontrou com representantes dos vários partidos.

O principal partido da oposição recusa-se a aceitar os resultados das eleições gerais de 2014, ameaçando governar em seis províncias onde reivindica vitória no escrutínio.

Como condição para voltar à mesa das conversações, Dhlakama exige o envolvimento da comunidade internacional, nomeadamente da União Europeia, Igreja Católica e o Presidente da África do Sul, Jacob Zuma.

As negociações entre o Governo moçambicano e a Renamo estão paralisadas há vários meses, depois de o maior partido de oposição se ter retirado do processo, alegando falta de progressos e de seriedade por parte do executivo.

A suspensão do diálogo foi acompanhada por um agravamento da violência política, com relatos de confrontos entre a Renamo e as forças de defesa e segurança, além de acusações mútuas de raptos e assassínios de militantes dos dois lados e ainda ataques atribuídos pelas autoridades ao braço militar da oposição a alvos civis no centro do país.

A deterioração da situação política e militar em Moçambique acontece em paralelo com uma crise económica e com a revelação de empréstimos garantidos pelo Estado moçambicano ocultados nas contas públicas.

A divulgação destes empréstimos fez disparar a dívida pública e levou à suspensão da ajuda financeira prestada pelos principais doadores de Moçambique, incluindo a União Europeia.

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