Crise | Moçambique

Filipe Nyusi muito otimista com provável encontro com Dhlakama

O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, saudou a decisão de Afonso Dhlakama, líder da Renamo, de nomear uma delegação que irá reunir com outra indicada pelo Governo a fim de retomarem o diálogo político com vista ao restabelecimento da paz no país.

Durante uma conferência de imprensa na cidade de Jinan, Nyusi disse que a nomeação da equipa da Renamo “é a notícia de que o povo moçambicano estava à espera”.

A tarefa das delegações do Governo e da Renamo é apenas preparar as condições para uma reunião frente-a-frente entre os dois líderes. “Nós não queremos perder tempo com centenas de reuniões no Centro Internacional de Conferências Joaquim Chissano”, frisou o Presidente.

Nyusi referia-se ao diálogo entre o Governo e a Renamo que de Abril de 2013 a Agosto de 2015 reuniu no Centro Internacional de Conferências Joaquim Chissano, sem produzir resultados terminou quando a Renamo decidiu abandonar os trabalhos.

Nyusi manifestou muito otimismo no encontro com Dhlakama, que está a criar muita expetativa entre os moçambicanos, afirmando que “vai acontecer e vai ser produtivo”, e que será no encontro entre os dois líderes que serão tomadas decisões vinculativas. As reuniões preparatórias “irão definir metas e responsabilizar aqueles que não as cumprirem”, sublinhou.

Apesar da nomeação da equipa preparatória, a Renamo é acusada de perpetrar ataques armados contra alvos civis nas estradas da região centro de Moçambique. “Fazer pressão através de ataques armados é uma tática velha que não funciona”, disse Nyusi.

A resposta do Governo aos mais recentes ataques, referiu o Presidente, foi “exortar as Forças de Defesa e de Segurança para que mantenham a calma e não responder a provocações, mas sim defender o povo e proteger as colunas nas estradas”.

No início de Março o Governo anunciou a constituição de uma equipa com a missão de preparar um encontro entre Nyusi e Dhlakama, tendo convidado a Renamo a fazer o mesmo. Uma equipa constituída por Jacinto Veloso, membro do Conselho Nacional de Defesa e Segurança; Maria Benvinda Levi, conselheira do PR e Alves Muteque, funcionário da Presidência da República.

Porém, Dhlakama impôs uma série de pré-condições, entre as quais a presença de mediadores internacionais, incluindo a Igreja Católica, a União Europeia e o Presidente sul-africano, Jacob Zuma.

O Executivo, contudo, defendeu que não havia necessidade da presença de mediadores estrangeiros num diferendo que apenas envolve moçambicanos. Na semana passada Dhlakama decidiu finalmente recuar nas pré-condições, anunciando uma equipa composta por três deputados da Renamo, nomeadamente José Manteigas, Eduardo Namburete e André Magibire.

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