Moçambique: A ausência de estratégia do governo moçambicano

O Norte de Moçambique vive desde 2017, uma crise securitária que tomou proporções humanitárias catastróficas e para a qual o governo de Moçambique não conseguiu ainda achar o rumo certo para a sua resolução, ou no mínimo, mitigação.

A incapacidade das forças de defesa de Moçambique conseguirem travar os ataques dos insurgentes islâmicos não se poderá atribuir unicamente à violência da ação dos insurgentes ou da sua organização nos ataques, pois se é verdade que os ataques começaram num estilo de guerra de guerrilha, os insurgentes chegaram a ocupar vilas por vários dias, estabelecendo ali território em pretérito do principio da soberania do Estado e ocupam hoje, desde Março, o porto e o aeroporto de Mocímboa da Praia.

A principal razão da falha da estratégia no combate à insurgência pelo governo moçambicano parece ser a inexistência de uma verdadeira estratégia, ou pelo menos, de uma conceção inicial de estratégia, vivendo o governo da decisão improvisada à circunstância, circunstância essa ditada pela ação do ator mais ativo, os insurgentes.

Essa falta de estratégia levou a que o Presidente Nyusi entregasse a segurança do Norte de Moçambique a potências estrangeiras, nomeadamente a Rússia, com a presença de militares das forças armadas russas e através de proxys, como o Wagner Group.

Ao mesmo tempo, entregou o combate a empresas privadas de segurança, como a Dick Advisory Group (DAG) e a Frontier Services Group (FSG) do norte-americano Erik Prince e que é apoiada pelos chineses.

Este modelo de atuação só poderá ser interpretado como uma assumida falta de capacidade de atuação e de governação, admitindo a falência e incapacidade das forças de defesa de moçambique, que se encontram cada vez mais desmotivadas, doando a soberania moçambicana, e ainda pagando do erário público para o fazer, porque nenhuma destas empresas se encontra a trabalhar de graça.

Pese embora alguns sucessos recentes, não se consegue prever que a situação no Norte de Moçambique se vá resolver, levando à supressão da ameaça insurgente, antes pelo contrário, os desembarques massivos de deslocados em Pemba, levam a deduzir que a situação securitária e humanitária em Cabo Delgado se tem vindo a agravar, levando os habitantes a preferir morrer numa travessia marítima para Pemba, a ficar nas suas aldeias e morrer de fome ou às mãos dos insurgentes.

LF

One Comment

  1. Diogo Albuquerque

    Sem dúvida nenhuma. O governo tem entregue a soberania de Moçambique, particularmente Cabo Delgado, a potências estrangeiras, estatais e privadas.
    Não se consegue mesmo ver fim para esta situação e o Presidente vai empurrando com a barriga o problema para os seus “funcionários” estrangeiros, ao invés de criar condições para as suas Forças Armadas.

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