Moçambique – A fatura que os políticos de Maputo terão de pagar

Maputo intensifica os seus esforços diplomáticos para conseguir ajuda junto da União Europeia (UE) para combater a insurgencia e os consequentes impactos humanitários, que já afetam milhares de moçambicanos no norte do país.

Por outro lado, Maputo intensifica os seus esforços diplomáticos para conseguir, junto de alguns aliados, um lugar no Conselho de Segurança das Nações Unidas, sendo este um dos assuntos mais prioritários da presidência moçambicana na atualidade.

E entretanto,em Muidumbe, os cidadãos moçambicanos são decapitados.

Estes são fragmentos do decurso da história diária de Moçambique, em que o governo central vive uma realidade diferente das populações do norte, como se a barbárie de Cabo Delgado fosse o nome de uma série de televisão que vemos todas as noites no conforto do sofá.

Quando descemos à realidade, contatos na Frelimo dizem que uma ala dentro dentro do partido, nomeadamente na Comissão Política, defende que é preciso ter cuidado com as contrapartidas que os parceiros internacionais vão exigir para ajudar Moçambique, pois, sendo este um momento de aflição poderão ser tomadas decisões precipitadas, que terão impacto nos contratos de exploração hidrocarbonetos.

As reflexões internas sucedem-se, num tempo e realidade anacrónicos, e os elementos mais conservadores continuam ainda a pensar como definir o tipo de ajuda a pedir à comunidade internacional, ao nível da formação das Forças de Defesa e Segurança. Como se formar, à pressa, grupos de militares fosse suficiente para combater uma insurgência com os níveis de capacidade da que atua em Moçambique.

A e-Global apurou que as áreas das informações militares e/ou as táticas operacionais de contra terrorismo serão algumas das que estão em cima da mesa, do poder político de Maputo.
Fala-se em recorrer aos países com experiência em palcos onde o terrorismo islamista é uma realidade, como o Mali, mas uma vez mais emerge o receio que os parceiros com experiência possam assumir protagonismo excessivo.

Ainda que o raciocínio seja o correto, o tempo em Cabo Delgado parece continuar a ser diferente do de Maputo: não pára – os moçambicanos continuam a morrer, as zonas de potencial desenvolvimento estão cada vez mais destruídas e os investidores estrangeiros têm cada vez mais dúvidas quanto à segurança dos seus investimentos em Moçambique.

Entretanto em Maputo, refere-se, no seio da Frelimo, que é preciso, antes de mais, de evitar precipitações e determinar que fatura Maputo terá de pagar pela ajuda. Segundo os mesmos contatos, os interesses políticos da Frelimo e dos proeminentes da cúpula de poder partidário prevalecem sobre os dos cidadãos e da a concretização do plano de ajuda internacional.

E observadores nacionais e internacionais não entendem as decisões de Maputo, que mantém fortes receios acerca da cooperação internacional estatal, mas permite a intervenção de diversas companhias privadas de segurança, sem qualquer resultado na desarticulação da insurgência e sem que Maputo tenha capacidade para controlar o que se passa no terreno.

Apesar de tudo, haverá esperança, pois outros elementos da Comissão Política, lembram diariamente que a questão de Cabo Delgado tem de ser resolvida urgentemente.

Ainda assim, se a decisão continuar a ser adiada, parece que a fatura da inação será bem mais onerosa que a fatura da cooperação.

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