Moçambique: Amnistia Internacional volta a criticar FDS

A Amnistia Internacional voltou a exigir do Governo moçambicano uma investigação independente e imparcial sobre as violações de Direitos Humanos na província de Cabo Delgado. 

A exigência foi feita através de um comunicado de imprensa, onde se pode ler que a organização menciona a existência de um vídeo que foi posto a posto a circular nas redes sociais.  

Essa gravação mostra uma mulher nua a ser executada pelas Forças de Defesa e Segurança (FDS) de Moçambique. Como tal, frisa a Amnistia Internacional, trata-se de mais uma prova da violação dos direitos fundamentais pelas forças governamentais. 

“Este horroroso vídeo é outro grosseiro exemplo da grave violação de Direitos Humanos e assassinatos sem misericórdia que ocorrem em Cabo Delgado, pelas forças de segurança moçambicanas”, declarou o diretor da Amnistia Internacional para a região Oriental e Austral do continente africano, disse Deprose Muchena, que foi citado no comunicado. 

O documento cita ainda análises feitas à vítima mortal pelo Laboratório de Evidências e Provas, onde se concluiu que a mulher foi baleada 36 vezes. 

Governo distancia-se do assassinato 

Entretanto, o Ministério da Defesa Nacional já se pronunciou em relação ao sucedido, distanciando-se do assassinato“As Forças de Defesa e Segurança consideram as imagens chocantes, abusivas, repugnantes, horripilantes e, acima de tudo, condenáveis em todas as suas dimensões”, sublinhou. 

“As FDS reiteram que não pactuam com qualquer acto bárbaro que consubstancie a violação dos direitos humanos. Factos desta natureza deverão sempre ser denunciados por todas forças vivas da sociedade, devendo ser investigados para apurar a sua autenticidade e veracidade, com vista a devida responsabilização”acrescentou sem avançar prazos para a investigação. 

As FDS reiteraram a determinação na defesa da integridade territorial, da soberania, da unidade nacional, da liberdade do cidadão e segurança dos meios de desenvolvimento da Nação, bem como a lealdade ao seu Comandante-em-Chefe e Presidente da República, Filipe Nyusi. 

Terroristas podem estar por detrás do crime 

O ministro do Interior, Amade Miquidade, afirmou à imprensa no final da sessão ordinária do Conselho de Ministros, realizada nesta terça-feira, 15 de setembroque os terroristas têm vestido fardas idênticas às das FDS para realizar a sua propaganda contra o estado moçambicano. 

“Temos estado a registar nos últimos tempos imagens e vídeos de ações atrozes brutais contra cidadãos. Queremos aqui aclarar que os terroristas envergam fardamento uniforme idêntico ao que usam as Forças de Defesa e Segurança. O que os identifica entre eles é que nas suas incursões colocam sinais para que entre eles se conheçam”partilhou. 

O governante referiu também que está a decorrer um processo investigativo para identificar o núcleo de preparação dos vídeos postos a circular dando conta da violação de cidadãos moçambicanos em Cabo Delgado.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *



Artigos relacionados

Cabo Verde: Santo Antão sofreu redução “drástica” de turistas

Cabo Verde: Santo Antão sofreu redução “drástica” de turistas

A ilha cabo-verdiana de Santo Antão registou uma redução “drástica” no número de turistas em 2020, uma vez que foram contabilizados apenas 12.620 no ano passado. Este…
Moçambique: BM faz previsão económica positiva para o país

Moçambique: BM faz previsão económica positiva para o país

O Banco Mundial (BM) prevê que a economia moçambicana recupere gradualmente ainda neste ano de 2021. No entanto, alerta para os riscos significativos de uma queda, devido à incerteza sobre o caminho…
Timor-Leste: Ministério Público tem 2.577 processos pendentes

Timor-Leste: Ministério Público tem 2.577 processos pendentes

O Procurador-Geral da República de Timor-Leste, Alfonso Lopez, informou que o Ministério Público registou 2.577 casos pendentes a nível nacional. O anúncio foi…
Estreia "Calígula morreu. Eu não" no D. Maria II, uma coprodução que junta Portugal e Espanha

Estreia "Calígula morreu. Eu não" no D. Maria II, uma coprodução que junta Portugal e Espanha

“Calígula morreu. Eu não“, espetáculo com encenação de Marco Paiva e texto da dramaturga espanhola Clàudia Cedó, chega à Sala…
Share on facebook
Share on google
Share on twitter
Share on linkedin