Moçambique

Moçambique: Células armadas tomam base das FADM em Mocímboa da Praia

A Polícia da República de Moçambique (PRM) informou que um grupo armado atacou nesta segunda-feira, 23 de março, um quartel das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) na vila de Mocímboa da Praia, na província de Cabo Delgado, e que o mesmo içou a sua bandeira.

“Os malfeitores atacaram a sede de Mocímboa da Praia, incluindo um quartel das forças de defesa e segurança, e içaram a sua bandeira”, afirmou o porta-voz da PRM, Orlando Modumane, numa conferência de imprensa em Maputo.

De acordo com a mesma fonte, os ataques começaram por volta das 04:00 locais (menos duas horas de Lisboa) e os grupos criaram barricadas nas principais entradas da vila. Enquanto houve disparos e gritos de confrontação, os habitantes locais esconderam-se dentro das suas casas.

“As forças de Defesa estão a desdobrar-se em vários grupos e em vários pontos para identificar os principais pontos que os malfeitores usaram para entrar na vila. Neste momento, as forças de defesa e segurança estão sob fogo cruzado com os malfeitores”, expôs Modumane.

Recorde-se que Cabo Delgado tem sido alvo de vários ataques de grupos armados desde outubro de 2017, algo que as organizações internacionais classificam como uma ameaça terrorista. Em dois anos e meio o problema já causou, pelo menos, 350 mortos, além de 156.400 afetados, devido à perda de bens ou a terem de abandonar as habitações e terras em busca de zonas seguras.

Mocímboa da Praia localiza-se a 90 quilómetros a sul de Palma, distrito onde estão a ser construídos megaprojetos internacionais de exploração de gás natural.

Em reação à recente invasão, a Amnistia Internacional (AI) disse nesta terça-feira que a violência em Mocímboa da Praia reflete o “falhanço trágico” do Governo moçambicano em controlar a situação.

Estes ataques, lê-se na nota divulgada pela entidade, são agravados “pelo facto de o governo proibir jornalistas, investigadores e observadores estrangeiros de aceder a essa região”, e por isso a AI conclui que “as autoridades têm de agir imediata e eficazmente para proteger toda a gente na região, incluindo aumentar as medidas de segurança legais, e lançar investigações para levar os suspeitos à Justiça”.

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