Moçambique: Comissão Nacional de Eleições valida vitória da Frelimo em Marromeu

O presidente da Comissão Nacional de Eleições (CNE) anunciou a vitória da Frelimo na repetição das eleições em Marromeu, realizada a 22 de novembro. De acordo com Abdul Carimo, o partido no poder teve mais 46 votos do que a Renamo no sufrágio, que foi novamente feito em 8 mesas por decisão do Conselho Constitucional (CC).

Os dados da CNE constam que a Frelimo obteve 8.396 votos, correspondentes a 45,78%, a Renamo atingiu os 8.349 votos, equivalentes a 45,53%, e o MDM ficou em terceiro, com 1.591 votos, que se traduzem em 8,69%. Ainda assim, tanto a Frelimo como a Renamo terão oito membros no Conselho Autárquico, seguidas do MDM, com apenas um.

A cabeça-de-lista da Frelimo em Marromeu, Victória Cristina, foi declarada presidente do Conselho Autárquico, tendo as reações do partido sido de regozijo pela vitória alcançada. Alcídio Nguenha, mandatário desta organização política, congratulou os órgãos eleitorais e todos os intervenientes no processo pelo trabalho realizado. “A CNE indica que os incidentes que tiveram lugar não afetaram os resultados”, disse ainda, acrescentando que “cabe à CNE e às instituições que dirigem as eleições compilar todos esses aspetos e trazer resultados para nós. Não cabe a um partido fazer essa avaliação. Não caberia ao partido Frelimo. Nós estamos satisfeitos com os resultados que foram apresentados”.

Por sua vez, o mandatário da Renamo reclamou e chegou a classificar as eleições de Marromeu de uma brincadeira. Ao contrário do que o presidente da CNE anunciou, André Madgibiri mencionou que a contagem dos votos não foi feita logo após o encerramento das urnas, tendo ele pessoalmente ligado para o dirigente da CNE a protestar esse facto. Madgibiri assegurou que Abdul Carimo confirmou o sucedido junto do diretor do Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (STAE) de Marromeu. “Ele ligou para o diretor do STAE e este disse que estavam a jantar”, contou, sublinhando que “não podemos estar aqui a mentir para o público, isto é uma brincadeira”.

O representante da Renamo afirmou também que os resultados do apuramento intermédio não coincidem com os do apuramento geral, além de haver alegadas incongruências entre as datas do apuramento constantes das atas. “A partir deste momento já fica claro que a responsabilidade de impedir o roubo de votos que vem acontecendo desde 1994 não cabe apenas a Renamo, cabe a todo o povo moçambicano e queremos chamar atenção a todos diplomatas que quando há brincadeiras deste tipo noutros países eles fazem sanção, tomam medidas, o que se espera neste país?”, questionou.

Queixas semelhantes foram feitas por parte do mandatário do MDM, para quem o presidente da CNE foi instigado a mentir. “O Partido Movimento Democrático de Moçambique [MDM] sai daqui frustrado. É uma tristeza que o presidente da CNE venha aqui induzido a mentir”, declarou José de Sousa.

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