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Moçambique: DDR avança e Junta Militar da Renamo perde força

Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, com líder da Renamo, Ossufo Momade

O Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR) dos homens armados da Renamo já abrangeu 554 ex-guerrilheiros até ao momento. Este processo teve início a 04 de junho.

Os visados são antigos guerrilheiros que se encontravam nas bases de Savane e Muxúnguè, nos distritos de Dondo e Chibabava, respetivamente. Essas zonas, pertencentes à província de Sofala, foram desativadas no âmbito do processo mencionado.

Entretanto, a existência da Junta Militar da Renamo pode estar em risco. Segundo analistas moçambicanos, as recentes desistências de membros do grupo liderado por Mariano Nhongo podem fragilizar o mesmo.

No entanto, os especialistas alertam que a onda de desistências de guerrilheiros da autoproclamada Junta Militar para beneficiar do processo de DDR social não vai ser suficiente para travar focos de ataques em aldeias e estradas do centro do país.

No início de julho o maior partido da oposição anunciou que 11 guerrilheiros aliados de Nhongo tinham abandonado a autoproclamada Junta Militar para integrar o DDR em Muxúnguè, o que culminou com o encerramento da base de Mangomonhe. Em meados desse mesmo mês saíram outros seis guerrilheiros.

Também o anúncio recente da desistência de João Machava, tido como o número dois do grupo e líder de ex-guerrilheiros no sul do país, aumentou as especulações sobre as capacidades e a sustentabilidade da autoproclamada Junta.

Nhongo desvaloriza saídas

Entretanto, Mariano Nhongo declarou numa entrevista dada nesta quarta-feira, 22 de julho, que as desistências no grupo não são importantes. O general insistiu que o projeto está a ser abraçado por guerrilheiros.

“Esses que estão a sair nunca foram da [autoproclamada] Junta Militar, são traidores”, realçou.

O dirigente reiterou que tem aumentado as suas fileiras com mais guerrilheiros que chegam às suas bases.