Moçambique: Ex-diretor do SISE sugere que Nyusi dê detalhes sobre “dívidas ocultas”

O antigo diretor do Serviço de Informações e Segurança do Estado (SISE), serviços secretos de Moçambique, é o penúltimo réu a ser ouvido no julgamento das “dívidas ocultas”, num total de 19 arguidos. A audição de Gregório Leão começou esta segunda-feira, 27 de setembro, e irá terminar hoje, dia 28. 

No início da sessão de Leão, realizada no Tribunal Judicial da Cidade de Maputo, o Ministério Público optou por voltar a ler a acusação que diz respeito a este arguido. Nela está escrito que o visado terá beneficiado de 8,9 milhões de dólares, através de depósitos efetuados a favor da esposa, Ângela Leão, também arguida e já interrogada no julgamento em curso

Gregório Leão é ainda acusado de peculato, chantagem, associação para delinquir e branqueamento de capitais. “O réu tinha a direção do projeto de Proteção da Zona Económica Exclusiva”, que esteve na origem da contração das “dívidas ocultas”

O réu começou por dizer que não conhecia os outros arguidos implicados no processo das “dívidas ocultas” e que as pessoas que estiveram no início do “calote” não se fazem presentes no tribunal em questão. Segundo Leão, o atual Presidente da República, Filipe Nyusi, pode dar “detalhes” à justiça sobre o projeto de proteção costeira, que esteve na origem das polémicas dívidas. 

“Eram sessões dirigidas na altura pelo então ministro da Defesa Nacional, que é o atual Presidente da República e comandante-chefe. Então ele é que pode vir explicar com detalhe”, afirmou. 

Isto porque, continuou, era Nyusi quem coordenava as reuniões do Comando Operativo das Forças de Defesa e Segurança que debatiam o projeto de proteção da Zona Económica Exclusiva, que a justiça considera que alimentaram o pagamento de subornos. 

Já como chefe de Estado, acrescentou igualmente, Filipe Nyusi terá apontado a ProIndicus, uma das empresas estatais beneficiárias do dinheiro das “dívidas ocultas”, como parte da solução para as ameaças à segurança da costa moçambicana. 

O último arguido a ser ouvido será António Carlos do Rosário, ex-diretor da Inteligência Económica do SISE e presidente das empresas estatais beneficiárias dos empréstimos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.




Artigos relacionados

MPLA, FRELIMO, ANC e SWAPO querem formação contínua dos militantes

MPLA, FRELIMO, ANC e SWAPO querem formação contínua dos militantes

Militantes e delegados dos partidos MPLA (Angola), FRELIMO (Moçambique), ANC (África do Sul) e SWAPO (Namíbia) terminam neste sábado, 26…
Moçambique: Autarquias locais mantêm dependência do OE

Moçambique: Autarquias locais mantêm dependência do OE

O presidente da Comissão de Administração Pública e Poder Local da Assembleia da República de Moçambique, Francisco Mucanheia, chefiou um…
Timor-Leste: Construção do Porto de Tíbar alcançou os 72% em 2021

Timor-Leste: Construção do Porto de Tíbar alcançou os 72% em 2021

O Ministério das Finanças de Timor-Leste informou, através de um documento, que a construção do Porto de Tíbar chegou a 72%…
Moçambique: Paralisação de fábricas de processamento de castanha de cajú empurra mais de 17 mil pessoas para o desemprego em Nampula

Moçambique: Paralisação de fábricas de processamento de castanha de cajú empurra mais de 17 mil pessoas para o desemprego em Nampula

Na província moçambicana de Nampula, 17.182 trabalhadores foram empurrados para o desemprego nos dois últimos anos na sequência da paralisação…
Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin