Moçambique: Cegueira providencial

Desde há décadas que o norte de Moçambique tem sido um hub internacional do narcotráfico, meio complementar de subsistência de pescadores e habitantes locais, envolvidos na recolha, no mar, de pacotes de droga lançados de navios com origem no sul da Ásia. Considerando o fluxo de droga na região, começam a ser identificados relatos da extensão deste negócio à insurgência, como meio de financiamento da mesma. Verdade ou mentira?

Mas a droga não chegava nem chega apenas por esta via. O Porto de Nacala tem sido o principal entreposto que, não obstante as evidências, não tem sido alvo da atenção e do controlo das autoridades de forma sistemática, o que tem promovido a manutenção do fluxo de drogas na região. Contudo a exposição mediática internacional estará agora a potenciar alguma transferência das rotas para norte, mormente para a região de Mocimboa da Praia.

Contatos nas autoridades revelam sérias preocupações com a segurança dos portos ao longo da costa centro e norte do país e questões quanto ao porquê do desinteresse das autoridades centrais.

Surgem assim suspeitas, verbalizadas a medo, de envolvimento de empresários indostânicos e mesmo de quadros da Frelimo, mormente de elementos da ala Marconde, alguns dos quais tiveram, no passado recente, responsabilidades ao nível do aparelho de segurança.

Mas as suspeitas de envolvimento no narcotráfico tem ramificações também ao nível da insurgência, num contexto em que elementos das forças e serviços de segurança começam a recear que os rebeldes do norte possam estar a beneficiar dos lucros destas atividades ilícitas como o narcotráfico, tráfico de madeira e de pedras preciosas.

A interligação promove a consolidação de um círculo vicioso em que o interesse em controlar as riquezas do norte impõe o recurso a todos os meios para garantir o sucesso da insurgencia, enquanto instrumento de controlo da terra, de concorrentes e das populações que não poderão de receber fundos de reassentamento. É uma política de terra queimada em que só alguns sobreviverão.

E as autoridades de Maputo são cegas? Porquê?

Sr Presidente Nyusi urge que se pronuncie sobre este estado de coisas.

 

Vítor Norberto

 

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