Moçambique: Personalidades alertam para ameaças à democracia

Foram 17 as personalidades nacionais e internacionais, entre as quais académicos, juristas e políticos, que decidiram juntar-se e fazer, em 350 páginas, a radiografia dos 25 anos da democracia eleitoral e multipartidária em Moçambique. 

“Democracia Multipartidária em Moçambique” é o nome da obra, produzida e lançada pelo Instituto Eleitoral para a Democracia Sustentável (EISA-Moçambique). Tal indica sinais de alarme com o ritmo que o processo constitucional está a levar. 

O livro considera que “as circunstâncias dos retrocessos no campo político-democrático, com traços sugerindo a intolerância política, representam uma verdadeira tragédia para os moçambicanos”. 

Em reação à obra, a Frelimo discordou parcialmente das conclusões da mesma e garantiu que o país está num bom caminho e que o processo democrático deve ser visto como um processo em construção. 

“Há uma contrução contínua do processo democrático. A descentralização está sendo feita e as eleições estão sendo feitas de cinco em cinco anos. É verdade que não há uma democracia perfeita, mas é preciso referir que o processo de construção democrática é contínuo e a sua consolidação tem que ser contínua, com todos os moçambicanos envolvidos, cada um a fazer a sua parte, com patriotismo e aprimorar a sua capacidade de cidadania”declarou o porta-voz do partido no poder, Caifadine Manasse. 

Já Saimone Macuiane, quadro superior da Renamo, afirmou que o livro é a mais pura versão da realidade nacional. 

“Desde 1994 para cá nunca tivemos eleições livres, justas e transparentes, apenas temos ciclos eleitorais. Neste âmbito, é preciso que não seja apenas a Renamo a lutar pelo objetivo da transparência, é preciso que todos os partidos políticos trabalhem em conjunto para que as eleições sejam uma festa e cada moçambicano possa escolher quem acha que é melhor para dirigir o país e que os resultados reflitam, efetivamente, aquilo que foi a vontade popular”, salientou. 

Comissão Nacional de Eleições admite problemas 

Por sua vez, a Comissão Nacional de Eleições (CNE) analisou igualmente os 25 anos da democracia eleitoral e mostrou algum alinhamento com parte da obra. 

“Nós achamos que a realização contínua de eleições, sem interrupção, é um dos passos positivos a destacar”disse o presidente da CNE, Sheik Abdul Carimo, ao intervir na cerimónia do lançamento oficial do livro. 

No entanto, reconheceu também que ainda há desafios que colocam em causa os processos eleitorais no país. “A falta de confiança entre os intervenientes diretos para com os órgãos de administração e gestão eleitoral, a problemática do controlo do voto, a problemática da circulação de boletins de voto fora do sistema eleitoral oficial, são alguns dos desafios ainda prevalecentes”concluiu. 

Deixe uma resposta




Artigos relacionados

Teatro da Trindade estreia "Nuvem"

Teatro da Trindade estreia "Nuvem"

O espetáculo “Nuvem”, de Carlos Manuel Rodrigues, vencedor da 4ª Edição do Prémio Miguel Rovisco – Novos Textos Teatrais, estreia…
Cabo Verde: Edil da Câmara da Praia quer Polícia Municipal em 2023

Cabo Verde: Edil da Câmara da Praia quer Polícia Municipal em 2023

O presidente da Câmara Municipal da Praia (CMP), Francisco Carvalho, disse estar “expectante” com a implementação da Polícia Municipal em…
STP: 4 detidos morrem no quartel militar

STP: 4 detidos morrem no quartel militar

Quatro cidadão são-tomense que se encontravam detidos no quartel militar, depois da tentativa de invasão falhada, morreram na passada sexta-feira,…
Angola recebeu auxílio de USD 246 mil do Japão para desminagem

Angola recebeu auxílio de USD 246 mil do Japão para desminagem

O Governo japonês investiu mais de 246.900 dólares em ações de desminagem na província do Cuanza Sul, segundo o Embaixador do…