Moçambique

Moçambique pressiona Total para reiniciar projeto de 20 mil milhões de dólares

Moçambique quer que a Total reinicie rapidamente os trabalhos no seu projeto de gás natural liquefeito de 20 mil milhões de dólares, apesar das preocupações de que a insegurança possa levar a um atraso prolongado, disse o ministro da Energia do país.

Uma insurgência islâmica de três anos na província de Cabo Delgado, no sudeste da África, intensificou-se nos últimos meses, com ataques perto da área de concessão da Total

A empresa francesa interrompeu a construção e começou a evacuar a sua equipa neste mês.

Moçambique está a ponderar ofertas de vários países, incluindo França, Portugal e Estados Unidos, para ajudar a combater os insurgentes ligados ao Estado Islâmico, cujos ataques deixaram cerca de 2 500 mortos e 570 000 pessoas a abandonarem as suas casas.

O governo quer impedir qualquer interrupção nos investimentos em gás que espera transformarão um dos países mais pobres do mundo.

A produção de gás no projeto que a Total está a liderar está planeada para começar em 2024.

“Estamos a negociar com a Total para retomar as atividades”, disse o ministro dos Recursos Minerais e Energia, Max Tonela, por telefone na quarta-feira. “Ainda não há indicação de uma mudança no cronograma.”

Sem um plano anunciado publicamente sobre como acabar com a insurgência, a retomada dos trabalhos pode ser adiada por meses, de acordo com o Eurasia Group.

“É improvável que a empresa consiga garantir a sua própria proteção armada no local, já que o gabinete do presidente Filipe Nyusi provavelmente continuará a insistir no controlo total de todas as operações armadas”, indicou a Eurásia na terça-feira.

Operações poderão ser retomadas em fevereiro ou março

“No entanto, as operações provavelmente serão retomadas assim que as negociações forem concluídas em fevereiro ou março, devido ao compromisso da empresa com o projeto.”

Na semana passada, o IHS Markit disse que a violência poderia atrasar a produção em pelo menos um ano. A probabilidade de uma resposta governamental eficaz nos próximos 12 meses é baixa, e a insurgência provavelmente aumentará este ano, disseram os analistas da IHS Markit Eva Renon e Langelihle Malimela numa nota.

A Comunidade de Desenvolvimento da África Austral adiou indefinidamente uma reunião agendada para a próxima semana sobre o fim da insurgência, informou a agência noticiosa portuguesa Lusa nesta quarta-feira. A cimeira não acontecerá em parte por causa de um aumento nos casos de coronavírus em Moçambique, onde deveria ser realizada.

 

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