Moçambique

Moçambique: Raptos: um negócio do Estado das coisas….

Como se não bastasse a insurgencia, a criminalidade organizada e comum continua a afligir as zonas urbanas e a transformar Moçambique num paraíso de criminosos.

Esta situação não é nova nem causa surpresa, pois as autoridades parecem estar mais preocupadas com a segurança do regime do que com a segurança dos seus cidadãos, tardando a fazer uma reforma do setor.

Todos os dias são reportados crimes violentos dos quais resultam, muitas vezes, a morte de cidadãos desprevenidos, ingénuos e que são, dada a posição de muitos no tecido económico moçambicano, um principal sustentáculo de uma economia degradada por abandono do Estado.

Parece que a medida que os cidadãos estão a perder a fé nas autoridades, os criminosos confiam cada vez mais na sua incapacidade. E esta é uma evidência referida por elementos das forças de segurança, em especial do SERNIC e da própria Procuradoria Geral da República, muitos dos quais se debatem, desde sempre, com falta de meios, com a corrupção de colegas e mais, com o medo de combater a criminalidade e de serem ameaçados ou acabarem mortos, a queima roupa na rua, como aconteceu ao procurador Marcelino Viankulo, em Abril 2016, e ao Juiz Diniz Sílica em 2014, ambos envolvidos em investigações de raptos.

Contatos nas polícias continuam a referir os baixos salários, a falta de meios, de capacidade técnica e de cultura institucional, que determinam a incapacidade para fazer face a uma criminalidade organizada e comum crescente, internacional – com ligações a Suazilândia e a África do Sul -cada vez mais assente nas próprias polícias, estruturada e impune.

A continua ocorrência de raptos, atesta o estado da degradação acentuada do setor da justiça e do nível de incúria do governo de Maputo. Os níveis de capacidade dos grupos têm aumentado e as suspeitas de envolvimento de elementos das forças policiais crescem a cada rapto. Tal é a situação, que elemento policial referiu a e-Global que, em situação de rapto, a queixa não deve ser apenas realizada na polícia mas também na PGR, para que haja garantia de fiscalização e de investigação, que o crime não será abafado e que polícias envolvidos sejam mais pressionados…. mas não presos e condenados.

E assim o que resta aos familiares dos raptados? Os mesmos elementos da polícia referem: “pagar o resgate claro “ para tentar escapar com vida. E assim o próprio Estado, que retarda a verdadeira reforma do setor de segurança, vai contribuindo para o descrédito de Moçambique, aos olhos da comunidade internacional, e para que os raptos e a criminalidade violenta sejam a nova indústria moçambicana.

© e-Global Notícias em Português
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