Moçambique

Moçambique: Renamo afirma que validação das eleições pode gerar conflitos futuros

© Presidente Filipe Nyusi

O líder da Renamo, Ossufo Momade, apelou ao Conselho Constitucional (CC) para que não valide os resultados das eleições gerais de 15 de outubro, pelo facto de as mesmas terem sido, alegadamente, fraudulentas. As declarações foram feitas durante a visita do dirigente à cidade de Pemba, província de Cabo Delgado, realizada na quarta-feira, 13 de novembro.

“Se querem salvar Moçambique, essas eleições devem ser nulas. Através do nosso recurso, o Conselho Constitucional deve respeitar a vontade do povo manifestada nas últimas eleições, sob o risco de criar conflitos para o futuro”, defendeu durante um comício.

No seu discurso, Momade prometeu não voltar a fazer a guerra, mas assegurou que vai lutar para evitar que a Frelimo, partido no poder, governe por via da fraude. “Não queremos a guerra, em respeito pelo povo moçambicano. Mas também não temos medo da guerra. Não haverá mais guerra, mas não vamos deixar que um punhado de pessoas altere a vontade da população”, salientou.

O presidente da maior formação política da oposição reagiu ainda às acusações da Polícia da República de Moçambique, segundo as quais a Renamo é responsável pelos ataques armados no centro do país.

“Aquele grupo que está a disparar não está ligado à Renamo. Nós respeitamos aquilo que assinámos no dia 6 de agosto. Temos palavra. Estamos a respeitar no espírito e na letra. Eles é que estão a nos provocar porque querem empurrar-nos para a guerra, para eles continuarem a roubar. Mas desta vez vamos ficar juntos aqui”, disse, referindo-se à autodenominada Junta Militar da Renamo, chefiada por Mariano Nhongo.

Após ter garantido paz no país, o político voltou a acusar o Governo de estar a perseguir os seus membros, alegadamente pelo envolvimento nos ataques armados em Manica e Sofala. “Eles já preparam armas para matar o povo em caso de manifestação, mas nós não vamos descansar enquanto não for resolvido o problema de injustiça praticada nas últimas eleições”, realçou.

O discurso terminou com acusações contra o Presidente da República. “Nyusi também tem culpa nesta situação, porque ele é que dirige a Frelimo e tudo indica que ele é que quer guerra”, acusou, acrescentando que “quando ele (Nyusi) está no estrangeiro diz sempre que quer paz, paz, paz, mas quando chega ao país faz tudo ao contrário”.

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