Presidente Filipe Nyusi com o líder da Renamo, Ossufo Momade

Moçambique: Os privilégios dos acordos fratricidas

Recentemente o Presidente Filipe Nyusi abriu o canal das tréguas ao Comando da Junta Militar da Renamo, liderado pelo General Mariano Nhongo, numa abordagem sem consequências que, desde logo, inquina na iniquidade do processo de desmilitarização, desarmamento e reintegração (DDR).

O General Nhongo insiste que o Presidente deverá dar resposta ao documento enviado, há cerca de um ano à presidência, no qual constavam as condições para o diálogo, entre as quais as regras para o DDR, sobretudo as referentes a integração equitativa e efetiva de elementos da Junta e da Renamo nas Forças e Serviços de Segurança e nas Forças Armadas de Moçambique, com destaque para o Serviço de Informações de Segurança do Estado – SISE.

Segundo contatos referiram à e-Global a questão da integração e futuro estatuto dos elementos da Junta e da Renamo será a pedra de toque que mantém o General Nhongo afastado das negociações e mais inclinado para manter ativamente uma estratégia de retaliação assimétrica, que poderá custar as vidas de muitos moçambicanos.

Emergem agora dados que corroboram os receios da Junta de viciação do processo DDR, por acordos de bastidores entre o presidente Nyusi e o líder da Renamo Ossufo Momade, acusado regularmente de prestar vassalagem a Maputo e de beneficiar pessoalmente de tratamento preferencial por parte da Frelimo.

Os mesmos benefícios terão sido, segundo se refere no seio da Renamo, negociados para militares da cúpula da Renamo leais a Ossufo, violando os acordos escritos, estabelecidos entre o falecido Afonso Dhlakama e Nyusi.

Referem os mesmos contatos que é a violação de tudo o que foi inicialmente acordado pelo saudoso líder da Renamo, adiantando que se
Nhongo se mantém inflexível como referiu Mirko Mansoni, o representante do Secretário Geral da ONU, será pela sua indisponibilidade em participar no aviltamento dos homens e mulheres da Renamo e na destruição da única força política que se apresenta como garante do equilíbrio democrático em Moçambique.

O que é facto é que a paz tardará em aportar a terras moçambicanas, quer pelo agravamento da situação de segurança no norte, quer em função das clivagens fratricidas que continuam a marcar as relações entre moçambicanos da Renamo e da Frelimo. Será então caso para perguntar quando é que Maputo estará à altura de governar verdadeira e indistintamente todas as moçambicanas e moçambicanos.

 

MCD

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