Moçambique: Renamo quer romper negociações com o Governo devido ao “verdadeiro fiasco” das Eleições Autárquicas

O coordenador da Comissão Política da Renamo, Ossufo Momade, afirmou publicamente que considera “um verdadeiro fiasco” o processo de votação das Eleições Autárquicas, realizadas na passada quarta-feira, 10 de outubro. Este é o motivo pelo qual a Renamo ameaça romper as negociações com o Governo, segundo a comunicação social moçambicana.

O partido, que está a perder terreno para o rival Frelimo, tendo este conquistado mais votos na maioria das autarquias até ao momento, acredita que ocorreu uma suposta falsificação de resultados em algumas dessas autarquias.

Ossufo Momade falou das “inúmeras irregularidades” a que o partido se refere, através de uma teleconferência ocorrida este sábado, 13 de outubro. “No distrito de Marromeu, com 39 mesas, quando a Frelimo se apercebeu que a Renamo levava vantagem, em 29 mesas…, a mando do partido Frelimo, o chefe de operações do STAE, acompanhado pela PRM, foram retirar o material de votação correspondente a 10 mesas cujos editais não tinham sido entregues aos delegados de candidatura, com objectivo de falsificarem os resultados a favor do partido Frelimo”, referiu o coordenador da Comissão Política da Renamo.

O membro do partido mencionou também casos em que presidentes de mesas entregavam dois ou mais boletins de votos a eleitores identificados como membros do partido Frelimo, o que alegadamente terá ocorrido um pouco por todos os municípios, mas com maior incidência no município de Massinga, em Inhambane, Dondo em Sofala, Maganja da Costa na Zambézia, Ilha de Moçambique, Ribáuè e Angoche em Nampula.

Momade acrescentou ainda que estas situações foram feitas “com a cumplicidade e apadrinhamento” da Polícia da República de Moçambique (PRM), que terá prendido todos os que tentavam denunciar o que alegadamente se passava. A Renamo mencionou ainda roubos de actas e editais de apuramento parcial ocorridos no município do Alto Molocué, tendo afirmado que essa foi uma ação coordenada com a Polícia.

“Não queremos guerra, mas também não admitimos nem aceitamos qualquer tentativa de pôr em causa a voto popular”, declarou Momade, garantindo que “se este voto popular não for respeitado, a Renamo vai romper com as negociações e as consequências que daí advirem serão da inteira responsabilidade do Presidente da República e do partido Frelimo”.

Para o coordenador da Comissão Política, “o que mais preocupa à Renamo é o silêncio cúmplice do Presidente da República [Filipe Nyusi] na sua qualidade de mais Alto Magistrado da Nação moçambicana e como contraparte nas negociações que visam o alcance da paz definitiva e duradoira, verdadeira reconciliação nacional e consolidação da democracia”.

Entretanto, a Frelimo reagiu a todas estas declarações do partido rival, tendo pedido contenção. “Eu acho que o coordenador da Renamo está a perder a oportunidade de se firmar como um dirigente político uma força política do gabarito da Renamo”, disse o porta-voz da Frelimo, Caifadine Manasse, acrescentando que “a chantagem política deve parar”, uma situação que acontece “desde as primeiras eleições” em Moçambique.

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