Moçambique: Renamo recusa “chantagem” da Frelimo sobre a entrega das armas antes das eleições de outubro

Ossufo Momade, líder de transição da Renamo, a residir na serra da Gorongosa, afirmou que a “chantagem” que está a ser feita pela Frelimo através da sua bancada parlamentar, que adiou a III sessão extraordinária sem data prevista, sessão relativa ao processo de descentralização e às eleições autárquicas de outubro próximo, não será aceite pela oposição.  

Momade referiu que “estamos perante uma chantagem sem sentido”, apontando para divisões no seio da Frelimo.

Numa entrevista concedida à imprensa local, ao Canal de Moçambique, o líder de transição da Renamo sublinhou que: “Eu penso que são diferenças que sempre houve lá dentro da Frelimo, desde que este processo iniciou com o presidente Dhlakama. Há uma ala que se predispõe a negociar connosco, e há uma outra ala que só vê problema onde não há problema. São os que não querem a paz”.  

Momade recua entregar as armas antes da integração dos militares e ex-guerrilheiros da Renamo nas Forças de Defesa e Segurança (FDS) do Estado, de forma a garantir que as armas entregues não sejam “usadas para matar a nós próprios”.  

O presidente moçambicano, Filipe Nyusi, deixou uma mensagem clara no dia da comemoração da independência do país, a 25 de junho, dizendo que: “Não há alternativa ao desarmamento, desmobilização e reinserção, e deve começar já”.

Nyusi acrescentou que o prazo para a entrega das armas por parte da Renamo é a data da realização das eleições autárquicas este ano, dia 10 de outubro:  “Reiteramos o nosso inabalável compromisso de a par com o processo de descentralização, digo a par, prosseguirmos de modo que as eleições de Outubro decorram num ambiente de paz com os nossos irmãos da Renamo desarmados e com a reintegração na sociedade em progresso, conforme o acordado em Namajiwa, Gorongosa”. 

Carlos Maela, deputado e delegado provincial em Inhambane pela Renamo, referiu que: “Achamos que é uma chantagem, mas não sabemos se eles querem que a Renamo esteja desarmada até ao processo eleitoral, porque sabemos que este processo está a ser tratado ao mais alto nível”.  

Refira-se que Sven Von Burgsdorff, representante da União Europeia (UE) em Moçambique, referiu ontem que: “Não me parece uma boa abordagem condicionar avanços, porque isso não vai criar confiança”.

O representante da UE acrescentou que: “As palavras do Presidente da República parecem-me muito legítimas, recordando às partes que o desarmamento, desmobilização e reintegração [dos militares e ex guerrilheiros da Renamo]” são um “objetivo que tem de ser realizado com a maior brevidade possível”. 

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